No céu, um aviso ameno: nuvens carregadas. Pesadas de histórias que se guardam em cada gota, se tornam lembranças que nunca desaparecerão. O som da água batendo no chão serve de consolo para aqueles que na loucura do dia a dia, esquecem de parar e ouvir a vida. O cheiro da terra molhada, o frescor do ar após o primeiro pingo, e o toque suave da água nas ruas desertas adicionam camadas à experiência sensorial que a chuva oferece. A chuva traz uma pausa, onde o abraço invisível traz à tona lembranças de tempos tranquilos, silêncios e acolhedores. Como uma memória que se revela aos poucos, ela nos ensina a arte da calma, nos lembrando que a beleza está nas coisas simples e inesperadas. Cada gota de chuva parece ter uma dança própria, se espalhando sobre o asfalto, criando desenhos efêmeros que desaparecem com a mesma rapidez com que surgem. A chuva, com sua insistência, nos lembra que, às vezes, as coisas acontecem sem que possamos controlá-las. Mas também nos ensina a beleza de se entregar ao presente, a deixar-se molhar pela vida sem resistência. E enquanto ela cai, as pessoas se protegem, correm para abrigos, mas o olhar sempre volta à janela, onde a água continua sua dança, sem pressa, sem agenda. Ela nos lembra que, às vezes, a beleza está na simplicidade dos momentos inesperados. Porque apesar de tudo, é apenas a chuva. A chuva, como a vida, tem seus próprios tempos. Ela chega quando menos esperamos e vai embora sem pedir licença. Mas, por alguns minutos, ela nos ensina a arte da calma, a beleza do instante presente. E, ao final, quando a chuva se vai, deixa um eco de tranquilidade no ar, como se o mundo tivesse dado uma pausa para respirar, para lembrar que, em meio à correria, a quietude também é essencial.
sábado, 22 de março de 2025
Memórias sob a chuva
No céu, um aviso ameno: nuvens carregadas. Pesadas de histórias que se guardam em cada gota, se tornam lembranças que nunca desaparecerão. O som da água batendo no chão serve de consolo para aqueles que na loucura do dia a dia, esquecem de parar e ouvir a vida. O cheiro da terra molhada, o frescor do ar após o primeiro pingo, e o toque suave da água nas ruas desertas adicionam camadas à experiência sensorial que a chuva oferece. A chuva traz uma pausa, onde o abraço invisível traz à tona lembranças de tempos tranquilos, silêncios e acolhedores. Como uma memória que se revela aos poucos, ela nos ensina a arte da calma, nos lembrando que a beleza está nas coisas simples e inesperadas. Cada gota de chuva parece ter uma dança própria, se espalhando sobre o asfalto, criando desenhos efêmeros que desaparecem com a mesma rapidez com que surgem. A chuva, com sua insistência, nos lembra que, às vezes, as coisas acontecem sem que possamos controlá-las. Mas também nos ensina a beleza de se entregar ao presente, a deixar-se molhar pela vida sem resistência. E enquanto ela cai, as pessoas se protegem, correm para abrigos, mas o olhar sempre volta à janela, onde a água continua sua dança, sem pressa, sem agenda. Ela nos lembra que, às vezes, a beleza está na simplicidade dos momentos inesperados. Porque apesar de tudo, é apenas a chuva. A chuva, como a vida, tem seus próprios tempos. Ela chega quando menos esperamos e vai embora sem pedir licença. Mas, por alguns minutos, ela nos ensina a arte da calma, a beleza do instante presente. E, ao final, quando a chuva se vai, deixa um eco de tranquilidade no ar, como se o mundo tivesse dado uma pausa para respirar, para lembrar que, em meio à correria, a quietude também é essencial.
sexta-feira, 21 de março de 2025
crônica da chuva
o cheiro da chuva
de Sara Marques
Dos perfumes do mundo, o de que mais gosto é o cheiro de terra molhada, o cheiro de chuva. Ele, na minha opinião, é equivalente aos momentos que antecedem uma tempestade, os de calma ensurdecedora. Mas, diferente de uma tempestade, os momentos seguintes não remetem a desespero.
De uma maneira que ouso chamar de sagrada, as primeiras gotas de água descem e trazem com elas a cura que a terra necessita desesperadamente depois de oferecer a nós, seres humanos, mais do que poderia dar. Como se o próprio Deus mandasse esse milagre em forma de H2O para restaurar e, ao mesmo tempo, preparar a terra para ser usada novamente.
Sem água não existe vida, ela simboliza purificação e recomeço e deve ser por isso que a chuva possui a capacidade de reconfortar as pessoas. Todavia, me acanho em dizer que essas são as percepções de uma classe média que pode se dar o luxo de refletir sobre tal acontecimento. Infelizmente, por razões totalmente humanas, desfrutar da chuva não é para todos. Então, como diria Drummond, até a chuva é privilegiada para poucos.
Apenas um dia de chuva (Leticia Mota)
pingos caem sobre o teto, e a ventania soa na janela .Está assim há dias a cidade. Ao olhar o céu , vejo uma vasta escuridão ,raios relâmpagos e trovões , talvez seja apenas uma melancolia que sinto ou talvez uma felicidade em ver as plantas e flores regadas pelo dom da natureza . A chuva e boa ou ruim ? Não sei dizer, só sei que seu barulho domina a rua ,Não sei , pode ser apenas meu dia de chuva que eu trato com tristeza , talvez um dia de chuva não seja tão ruim, escutar , se molhar não deve doer, não precisa ser triste , talvez como aquela noite de chuva me levou ou aquele que me fez sorrir, afinal porque fazemos de um dia de chuva algo ruim sendo que pode ser algo maravilhoso talvez como a musica :(´´chove chuva´´) do Jorge Ben Jor , chuva não para o dia não acaba , ouvir sons felizes no presente da chuva e algo maravilhoso . Afinal é só um dia de chuva.
Leticia mota -
Crônica - O Cão e as Poças (Gabriel Vasconcelos Rebouças)
Para Bolinha, a chuva era uma afronta à ordem natural das coisas. O céu, que sempre fora um teto seguro, de repente desmoronava em pequenas gotas frias. E ele, um cão de dignidade inabalável, se via obrigado a enfrentar o caos de um mundo encharcado.
Sair para o passeio diário sob a tempestade era um teste de resiliência. As poças espalhadas pela calçada eram armadilhas silenciosas, refletindo um céu que já não era céu, mas um espelho distorcido da realidade. Bolinha as evitava com destreza, desviando-se como quem foge dos infortúnios inevitáveis da vida. Mas o destino - ou o asfalto molhado - sempre guarda surpresas.
O momento fatídico veio quando suas patas tocaram uma poça oculta. A água gelada subiu em um espirro cruel. Bolinha congelou. Sentiu na pele - ou melhor, nas patas - a fragilidade de seu controle sobre o mundo. Por um instante, pareceu ponderar sobre a própria existência: e se a vida for isso? Um caminho incerto onde, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos pisando onde não queremos?
Mas ele era apenas um cachorro. E, como todo cachorro, soube seguir em frente. Chacoalhou-se, correu pra casa, encontrou refúgio no tapete seco. O dono, rindo, enxugou suas patas como quem apaga rastros de um erro inevitável.
Lá fora, a chuva continuava a cair, indiferente a tudo. As poças permaneceriam no caminho, esperando. Mas Bolinha aprendera algo naquele dia: não importa o quanto desviemos, sempre haverá um instante em que nossos pés - ou patas - tocarão a incerteza. E, então, só nos resta seguir adiante, sacudir o peso da água e continuar o caminho.
CRÔNICA DA CHUVA
A chuva caía desde as 6h da manhã. A pequena Julia, de 6 anos, acordou e sorriu, aos olhar os tão miudinhos pontos de água que caíam. Os dias chuvosos eram os seus favoritos. "Com certeza a chuva é mais legal que essa tal de neve" pensou a menina, com toda a sua experiência de nascida e criada no Mooca na década de 1950.
Era um sábado, e como de costume, a menina ia com os pais e os irmãos almoçar na casa da avó. Naquele dia, Julia havia conseguido convencer a mãe a deixar sua amiga do peito, a Laura, ir para o famoso almoço na casa da nonna, onde a melhor comida do mundo era servida acompanhada dos mais afetuosos abraços dos avós.
Para a surpresa de Julia, Laura estava mal-humorada naquela manhã de sábado chuvosa. Conhecendo a amiga, ela sabia que se Laura estava assim, certamente havia motivo, mas também sabia que poderia ajudá-la a ver as coisas como elas verdadeiramente são, especiais.
O caminho até a casa dos avós foi ainda mais especial. As gotas da chuva deslizavam sobre as janelas do carro e pareciam apostar corrida. O vento fresco que se sentiu ao descer do carro obrigou as duas amigas a se abraçarem contra o frio, o que foi uma ocasião perfeita para que Julia tivesse sucesso ao tentar tirar um sorriso de Laura.
Os avós de Julia trataram a amiga da neta como se fosse uma neta e pediram que ela voltasse no próximo sábado. Talvez o mau humor não precisasse se manter para sempre. Talvez a alegria merecesse um destaque maior no coração daquela menina.
Quando Julia e seus pais deixaram Laura em casa, a menina, que amava os dias com precipitações, sentiu que a amiga precisava daquela experiência. Para Julia, a chuva representava todo o amor que sentia pelos outros e pela vida, porque aquelas gotinhas forçavam as pessoas a ficarem juntas, se ajudarem, ensinava que não se pode viver sozinho, mas precisamos de pessoas, e as pessoas certas sempre nos trazem alegria.
Lyslaine Gaspar / CRÔNICA: O refúgio da chuva
O refúgio da chuva
Acordo mais um dia pronta para seguir ao trabalho, em uma manhã cinza, o céu está coberto por uma camada de nuvens escuras e junto vinha a sensação de que parecia estar carregado de algo mais. Olho pela janela e vejo uma mulher que tentava, apressada, abrir o guarda-chuva, mas o vento não ajudava. Eu sorri, mas algo na cena me tocou. Há algum tempo, eu também corria para fugir da chuva, sem perceber que, na verdade, ela nunca foi algo para se temer.
As primeiras gotas caíram lentamente, como se estivesse testando o terreno antes de se entregar totalmente. Logo, porém, a intensidade aumentou. O som das gotas batendo nas janelas e telhas eram reconfortantes, o cheiro da terra tomou de conta do ar, trazendo uma sensação de nostalgia.
A cidade, agora, parecia desacelerada, como se a chuva tivesse sugerido uma pausa. A corrida habitual dos carros no trânsito se transformava em um ritmo mais compassado. As pessoas, com suas roupas molhadas, caminhavam em um passo mais lento, como se não houvesse urgência em chegar a algum lugar.
A sensação que a chuva traz é difícil de descrever. Não é tristeza, mas uma certa saudade. Como se o mundo inteiro estivesse permitindo um respiro. As pessoas passam, mas a chuva as tornam quase invisíveis, cada um está dentro do seu próprio mundo e a chuva parecia puxar todos para uma realidade diferente.
Alguns correm apressados buscando abrigo, outros desfrutam o momento, todos parecem estar com um olhar perdido, como se o mundo tivesse se tornado menor, mas percebo que todos carregam dentro de si os seus próprios pensamentos.
Talvez a chuva não fosse só um tormento, mas uma oportunidade de fazer uma pausa no ritmo frenético da vida e, por um momento, é como se nos convidasse a olhar para o simples e sentir a serenidade que só um dia de chuva poderia oferecer. Em um mundo que não para, ela nos lembra que, ao desacelerarmos, podemos nos encontrar novamente para que possamos recomeçar, mais leves, mais conscientes do que realmente importa.
Crônia : Sexta Chuvosa
SEXTA CHUVOSA
Era uma sexta-feira que se iniciava chuvosa. A chuva caia como se quisesse trazer a tona memorias, um certo tipo de convite para desacelerar, ouvir murmúrios da agua e pensar no passado....
A medida que observava, as gotas de chuva aumentavam, sentia seu coração bater mais forte. Impaciência, ansiedade...Nunca entendera por que, para alguns a chuva trazia felicidade genuína,, especialmente nas sextas. Para ela, as sextas eram solitárias, tristes e nostálgicas, e a chuva vinha como prova disso.
Parecia que a chuva intensificava o sentimento de solidão. A melancolia se espalhava pelo ambiente de seu pequeno e meio vazio apartamento. Enquanto caminhava pela sala, olhando porta-retratos antigos, ouvindo aquele barulho de agua que parecia estar dentro de casa, lembrava de como já tinha sido genuinamente feliz com a chuva algumas vezes. Lembranças de banhos na chuva apaixonados, do clima frio, mas , ao mesmo tempo , caloroso por ser compartilhado com alguém, eram reconfortantes; mas agora, restavam apenas as memorias.
Olhou ao seu redor e percebeu que esse sentimento precisava ser resinificado. Por mais que sentisse saudade dos dias chuvosos com companhia, ela passaria a gostar mais deles quando fossem solitários e, em vez de melancólicos, os dias de chuva, a partir daquele dia, seriam reconfortantes. Pois, por mais que trouxessem nostalgias do passado, aquelas memorias faziam parte da sua historia e ela iria seguir em frente. Nesse dia, a chuva serviria para levar embora esse pedacinho de passado e renová-la.
Chuva Silenciosa
A chuva caiu, como uma bênção silenciosa sobre o dia que parecia carregar um peso insuportável. Era como se o céu, em sua imensidão, soubesse o que não se podia dizer. Não havia gritos e lamentos, apenas a água que descia, tranquila, mas insistente, como uma dor que se arrasta sem pressa. O terreno estava molhado, os rostos umedecidos, mas ninguém sabia se era pela chuva ou pelas lágrimas que teimavam em escapar.
Naquele momento, a chuva parecia dividir o peso da perda, como se ela estivesse ali, compartilhando o vazio que a ausência de um pai deixa. O som das gotas que batem no chão se misturava com os suspiros abafados, criando uma melodia sombria, mas reconfortante. Era como se a natureza soubesse que não havia consolo possível para uma dor tão profunda, mas que, ainda assim, ela estaria ali, testemunhando o fim e o começo.
Quando a cerimônia chegou ao fim, a chuva deixou de cair, dando lugar ao pôr do sol mais triste do ano, ela se foi como se quisesse dar espaço para a saudade respirar. O céu, então, parecia dizer que ninguém tinha forças para falar: que a partida é inevitável, mas que a memória, essa, se perpetua, quieta e constante, como a chuva que nunca deixa de voltar.
Crônica sobre o poder
Poder
O poder é, provavelmente, o produto mais procurado no mercado das futilidades humanas. Creio que nunca conheci alguém livre dessa corrida.
O poder pode ser, e deve ser, aquilo que nos torna abundantes e nobres. Algo que produz, que enriquece, e que agrega. Deve ser aquilo que norteia e que salva, a qualquer custo, tudo aquilo que se encontra perdido.
Mas com o passar do tempo, o significado de poder se tornou algo que deve ser temido, algo mais limítrofe à superioridade, e talvez sempre tenha sido. Talvez o significado de poder só faça sentido quando idealizado, mas não é assim que acontece quando sai do papel. A nobreza corrompe e mata desde que o mundo é mundo. Quando começou a ser distribuída a um nicho tão pequeno, que suas entranhas foram modificadas. Governos aristocráticos que declaravam guerra contra seu próprio povo, e assim seguiu.
Em dicionários, poder é virtude e talento. Na prática, é ganancia e avareza.
Acho que eu não teria uma visão tão pessimista sobre o poder se o tivesse experienciado de outra forma. Se eu tivesse visto meus pais triunfarem, ao invés de serem engolidos por seus respectivos cargos ao longo da vida. Se eu tivesse assistido meu país ascender em governos distintos. Se eu tivesse visto meu povo enriquecer, de bolso e de alma. Se eu não tivesse assistindo na televisão, nesse exato momento, o planeta se esvaindo em guerras, dirigidas e roteirizadas por homens brancos de meia idade, que prometem tornar “a America rica novamente”. Se eu não estivesse acompanhando por telas ricaços tomando os direitos de mulheres, que sequer alcançaram o que reivindicavam, enquanto gargalham e socam ainda mais notas no bolso. Se eu não estivesse temendo a autofagia da minha própria nação. O poder nos tornou pobres.
Talvez a busca incessante pelo controle, pelo poder, torne todos nós criaturas amargas, e indispostas de abrir mão de tudo aquilo que pode vir a nos tornar “menos”. Menos que um chefe, ou um colega de trabalho. Menos que algum familiar, ou menos que um amigo.
“Fico feliz por você”, é a frase que sucede o momento em que um colega de trabalho consegue uma promoção, ou um aumento. Ou a frase que sucede o momento em que um amigo anuncia seu noivado, logo após um término pessoal. Mas até onde isso é um dizer sincero? A tentativa de controle sobre o triunfo alheio também é uma forma de demonstrar autoridade.
Acho que a felicidade pelo sucesso do outro acaba quando ela ameaça o nosso sentimento de superioridade sobre ele.
Acredito que é intrínseco do ser humano querer ser maior, melhor, que tudo e que todos. “Fico feliz por você, a menos que você esteja acima de mim, ou contanto que esteja abaixo de mim.” Talvez essa seja a expressão correta para descrever o egocentrismo do humano que precisa ser sempre mais.
Dias após dia, o poder se torna, cada vez mais, um mal. O poder é o mal que nos consome, que luta contra nossos princípios, que nos faz, incansavelmente, aspirarmos por uma existência luxuosa, para que possamos que arcar com as próprias mesquinharias. É um ciclo. Alimentamos o sistema ao nos tornarmos os robôs, sedentos pelo topo, que ele nos projeta para sermos.
Uma eterna submissão ao ego de terceiros. Somos eternamente reféns do fracasso alheio.
Ter poder, empobrece.
E a falta dele, te empobrece.
O que é poder afinal? Tempo? Dinheiro? Sucesso? Virtude? Pobreza? Fome?
Depende do ponto de vista. Depende da sua posição.
Sistemático.
Outro dia de chuva
Fortes chuvas causam alagamento em ruas e casas de Fortaleza
Moradores do bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza, sofrem com alagamentos dentro de suas casas devido às fortes chuvas no mês de fevereiro.
Uma moradora relata que viveu momentos de terror. “No momento em que a água começou a entrar, fiquei em desespero.”
A moradora muito abalada conta que perdeu muitos de seus eletrodomésticos e não sabe como vai fazer para recuperar os objetos perdidos já que está desempregada.
A Defesa Civil de Fortaleza registrou 30 ocorrências, a maioria delas de inundação em casas.
Entre os bairros afetados, estão: Vicente Pinzon, Álvaro Weyne, Granja Lisboa, Conjunto Ceará, Genibaú, Bom Jardim, Canindezinho, Pirambu, Cristo Redentor e Autran Nunes.
Em caso de qualquer risco, a Defesa Civil de Fortaleza deve ser acionada, através do fone 190.
Paula Vidal | Temporada de chuvas no Ceará - Notícia sobre a chuva
Temporada de chuvas no Ceará provocam descontentamentos ao redor do estado
Como as tempestades pluviométricas que atingiram o estado na
última semana afetaram os habitantes?
Redação por Paula Vidal | Jornal Ateliê | 13/03/2025 às 09:34
As temporadas pluviais no estado do Ceará se iniciam, aproximadamente, nos meses de Janeiro e Fevereiro, e tendem a se estender até o final de Abril, e apesar de servirem como um certo refresco para a população após as extensas ondas de calor que atingiram a região nos últimos meses, é também nesse período que são registrados inúmeros acidentes e descontentamento vindo dos habitantes, evidenciando os despreparo da infraestrutura da cidade para enfrentar as fortes chuvas.
Na capital do estado, Fortaleza, foi registrado nessa quarta-feira (12) o maior índice pluviométrico desde o ano de 1985, debilitando ainda mais a estrutura da cidade e causando desavenças no trânsito. Beatriz Reis, comerciante de roupas no centro da cidade, relata a ocorrência de um acidente de trânsito, enquanto estava dentro de um ônibus a caminho do trabalho. “A chuva já estava forte no momento em que saí de casa, mas quando subi no ônibus, senti que saiu completamente do controle. Quando me dei conta, o motorista havia colidido com um carro. Foi terrível.” Relata Beatriz. Segundo o motorista que dirigia o carro, a colisão aconteceu após ele tentar desviar de um buraco no asfalto, também causado pelas chuvas. Após o ocorrido, as autoridades logo chegaram ao local, e o motorista que conduzia o ônibus foi levado ao hospital para realizar alguns exames, ao sofrer alguns ferimentos leves.
Já no interior do estado, as fortes chuvas causam sangria em grandes açudes, como o Amanary, Aracoiaba, e Germinal. Entretanto, apesar desse sinal positivo, no interior, os entraves não diferem muito dos que são enfrentados na capital. Segundo José Antônio Pereira, pedreiro de 67 anos e residente do município de Iguatú, as tempestades têm tornado seu trabalho cada vez mais desafiador, uma vez que afetam drasticamente as obras. “Está sendo bem difícil. Passamos o dia aqui, embaixo da chuva, e no dia seguinte, já temos que refazer tudo novamente. É muito frustrante mesmo.”, acrescenta José.
Além de acidentes e dificuldades no trabalho, as chuvas também atingem negativamente a moradia de uma grande parte da população. O governo do estado registrou mais de doze mil casos de desmoronamento de residências causadas por enchentes ao redor do território cearense, ultrapassando a marca de dez mil casos, atualizada em 2024. As vítimas desta catástrofe devem receber auxílio do governo e obter novos lares futuramente. O prefeito da cidade, Evandro Leitão, afirma que a prefeitura deverá colocar em prática projetos de reconstrução de diversos locais da cidade em breve.
A chuva que não cai--- Camila Fagundes
A CHUVA QUE NÃO CAI-- por Camila Fagundes
Era para chover. O céu se armou desde cedo, carregado de nuvens que boiavam como pensamentos pesados, prontos para desaguar. O vento correu pelas ruas, sussurrando segredos frios nas frestas das janelas, nas folhas secas que dançavam em desalinho. As pessoas, adestradas pelos avisos do tempo, abriram seus guarda-chuvas, fecharam suas portas, e esperaram.
Mas a chuva não veio.
Ficou tudo suspenso, como um soluço que não se completa. O cheiro de terra molhada chegou antes da primeira gota, numa promessa que nunca se cumpriu. Os telhados permaneceram secos, as poças não se formaram, os trovões rugiram à toa. No asfalto, apenas rastros de poeira, marcando o caminho do que poderia ter sido.
Era uma chuva que queria cair, mas hesitava. Talvez tivesse medo de estragar alguma coisa. Talvez quisesse ensinar que nem toda espera tem resposta, que nem todo prenúncio leva ao acontecimento.
Na cidade, os rostos se voltavam para o céu, esperando um alívio que não veio. E, no silêncio úmido daquela quase-tempestade, havia um tipo raro de vazio. O vazio das palavras não ditas, das cartas não enviadas, dos gestos interrompidos antes do toque.
No fim da tarde, as nuvens se desfizeram sem espetáculo. A cidade seguiu seu curso, como sempre, mas algo ficou pairando no ar - uma saudade do que não aconteceu.
Paula Vidal | Tempestades Figuradas - Crônica sobre a chuva
Gotas singulares se entrelaçam até formarem aquilo que é tão bonito de assistir para alguns, e tão angustiante para outros. Metaforada, é aquela que tem cheiro de café preto e pão quentinho. Para mim, a chuva remete à infância.
Na verdade, creio que o seu significado sofre uma certa mutação ao longo da vida, como algo que sempre foi e, de repente, nunca mais será igual. As vezes, a chuva chega como tempestades, e que só são eufemizadas nos primeiros anos de vida. Ela é conhecida por seus traços delicados, odores e cores, que só podem ser vistos e sentidos com as lentes corretas. Sempre gostei de falar sobre ela de forma personificada, sendo sua aparência semelhante a de uma criança travessa, que enlameia a casa inteira após brincar do lado de fora.
Algo simples, como o céu platinado, com feixes de luz coloridos o atravessando, cheiro de terra molhada e um orvalho que cobria árvores inteiras, e poças imensas sendo esvaziadas por pesadas galochas cor de rosa. As chuvas costumavam representar os dias mais leves do ano. Estas são algumas das memórias póstumas de uma versão minha que não volta mais.
Hoje, quando olho para fora, vejo esse mesmo teto branco-acinzentado com outras lentes.
Sempre consegui analogizar muito bem. Tinha facilidade para atribuir até à uma simples garoa, uma grande fonte de sinestesia.
Por que vejo apenas o choro do céu agora? A vejo como um grande paradoxo. Um silencio gritante.
Talvez a chuva só fora bonita nas minhas lentes antigas. Nas minhas páginas hiperbólicas, onde tudo era muito. Onde tudo era demais.
Quando foi que o céu perdeu as cores? Quando foi que as galochas pararam de ser cor de rosa?
Crônica
E ela chegou mais uma vez, sem aviso, sem cuidado e com toda sua intensidade, sem ao menos dar a possibilidade do preparo para a situação.
Mais uma vez me vejo desabrigada e sem uma solução prévia. Me sinto em um dia lindo de sol, vento fresco, céu sem nuvens, um clima agradável e que de repente é tomado por uma chuva intensa, que amedronta com sua intensa ventania, seus barulhentos trovões e sua intensa escuridão.
Há quem goste e não é de todo ruim, quando tem onde se abrigar ou quando estar preparado para aquele banho inesperado. Mas esse não é o caso dela, da ansiedade. Não tem seu momento de diversão onde esse tal momento de chuva seja prazeroso. Talvez ela seja o pior dia chuvoso que possa existir quando não tem onde se abrigar e se proteger.
Dias de Chuva
Dias de Chuva
Desde criança, a chuva sempre me encantou, a forma que ela molha as plantas, os ventos frescos. As crianças do bairro se juntando para brincar e tomar banho de chuva pulando nas poças d'água e deixando os guarda-chuvas de lado.
Quando a chuva cessava, voltava para casa e minha mãe já dizia: "passa para casa menina". Assim que saía do banho, um pijama quentinho me esperava juntamente com um prato de miojo recém-saído do fogo, para eu jantar.
No momento em que terminava de me alimentar, corria em direção à minha cama para me embrulhar com os lençóis. E a música que escutava para dormir eram os pingos de chuva que caíam no telhado, quando voltava a chover.
quinta-feira, 20 de março de 2025
Notícia sobre a chuva por Ismaely Lima
Transtornos no aeroporto de Fortaleza devido as fortes chuvas
Aeroporto Internacional Pinto Martins, suspendeu suas operações em razão do mau tempo na manhã desta sexta (7).
Mais de 40 voos foram afetados. As fortes chuva, a baixa visibilidade e os ventos superiores a 60 km/h colocaram em risco a segurança das operações aéreas. Segundo a Fraport Brasil, administradora do aeroporto de Fortaleza, 42 vos - sendo 19 chegadas e 23 partidas - foram cancelados em razão das condições meteorológica adversas.
Cinco voos foram alterados e pousaram em duas capitais nordestinas sendo elas Natal e Teresina. Agência Nacional de Aviação (ANAC) informou que está acompanhando a situação em conjunto com a Aeronáutica. A agência também monitora as companhias aéreas para garantir o cumprimento dos direitos dos passageiros.
O público afetado tem buscado apoio dos órgãos de defesa do consumidor, alegando dificuldades na obtenção de informações e violação de direitos.
Mariana Vieira, usuária do transporte aéreo, teve seu voo com destino a São Paulo, SP cancelado. Estava a caminho do velório do pai e não vai chegar a tempo. Não recebeu assistência da companhia aérea e não sabe se seu bilhete será remarcado ou reembolsado.
segunda-feira, 17 de março de 2025
Notícia - Chuva (Melina Duarte)
Fortaleza tem avisos de chuvas intensas, mas 38 cidades têm maior risco até domingo (16);
Escrito por Melina Duarte
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois avisos de chuvas intensas para cidades do Ceará ,entre as 13h desta terça-feira (11) e as 10h de quarta-feira (12). Todos os municípios do Estado estão inclusos nos avisos, mas os níveis de severidade são diferentes.
38 municípios receberam grau de “perigo”, no qual podem ocorrer chuvas de até 100 milímetros por dia e ventos de 60 a 100 km/h. Entre as regiões afetadas, estão o Norte Cearense, Noroeste Cearense, Metropolitana de Fortaleza, e parte do Jaguaribe e Sertões.
Entre as instruções para minimizar acidentes, estão:
- Em caso de rajadas de vento, não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda
- Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
- Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).
Apesar do aviso, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indica que, a partir de domingo, é prevista uma redução dos volumes pluviométricos no território cearense, onde as chuvas devem ser favorecidas pela atuação de efeitos locais (efeito de brisa e combinação de temperatura, umidade e relevo).
Cidades em aviso de perigo (laranja)
Acarape
Acaraú
Alcântaras
Amontada
Apuiarés
Aquiraz
Aracati
Aracoiaba
Ararendá
Aratuba
Barreira
Barroquinha
Baturité
Beberibe
Bela Cruz
Boa Viagem
Camocim
Canindé
Capistrano
Caridade
Cariré
Carnaubal
Cascavel
Catunda
Caucaia
Chaval
Choró
Chorozinho
Coreaú
Crateús
Croatá
Cruz
Eusébio
Forquilha
Fortaleza
Fortim
Frecheirinha
General Sampaio
Graça
sexta-feira, 14 de março de 2025
Fortes chuvas causam alagamento em ruas e casas de Fortaleza (Por Mariana Oliveira)
Moradores do bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza, sofrem com alagamentos dentro de suas casas devido às fortes chuvas no mês de fevereiro.
Uma moradora relata que viveu momentos de terror. “No momento em que a água começou a entrar, fiquei em desespero.”
A moradora muito abalada conta que perdeu muitos de seus eletrodomésticos e não sabe como vai fazer para recuperar os objetos perdidos já que está desempregada.
A Defesa Civil de Fortaleza registrou 30 ocorrências, a maioria delas de inundação em casas.
Entre os bairros afetados, estão: Vicente Pinzon, Álvaro Weyne, Granja Lisboa, Conjunto Ceará, Genibaú, Bom Jardim, Canindezinho, Pirambu, Cristo Redentor e Autran Nunes.
Em caso de qualquer risco, a Defesa Civil de Fortaleza deve ser acionada, através do fone 190.
quinta-feira, 13 de março de 2025
Chuva dançante (Crônica por Brena Farias Costa)
Silenciosamente, a primeira gota caiu na tarde como um sussurro. Outros seguiram, formando uma melodia de saudade e começo. Por um tempo, a cidade inteira se tornou uma coisa só. As pessoas pararam para olhar de repente, os rostos virando para o céu, o som da surpresa. Mas somente dançava, livre e forte. Na janela embaçada, vi a água desenhar uma história breve, linhas evaporando como memórias fugidias. Através dos prédios da rua, uma criança abriu os braços e girou sob a chuva, seu riso soprando como um sussurro para longe. Era a felicidade mais pura que alguém poderia observar.
A chuva poderia ser marcada com nostalgia; para alguns era memória, mas para outros, uma chance de vida. Eu bebia chocolate quente e cheirava a terra úmida, a esperança de um novo amanhã e a tristeza de lembrar o ontem fluíam entre mim derramando memórias de vidro pelas janelas arrastadas. Então, ela se foi. O sol voltou, um pouco escuro e meio pálido, brilhando na poça, refletindo o passado e um futuro insípido. A cidade descia pela rua, mas eu continuava lá, ouvindo a ressuscitação do que as almas deixavam para trás. A chuva carregava vida, promessas e sonhos para o amanhã.
Tempestades causam caos em Fortaleza e deixam milhares desabrigados ( Por Brena Farias Costa.)
As chuvas intensas dos últimos dias em Fortaleza causaram alagamentos, deslizamentos de terra e deixaram milhares de pessoas desabrigadas. O Instituto Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (ICEMET) revelou que a capital do estado recebeu 720 mm de chuva em apenas 48 horas, o maior acumulado da história da cidade em um curto espaço de tempo.
Os bairros mais atingidos foram Messejana, Álvaro Weyne e Conjunto Ceará, com as águas invadindo casas, arrastando carros e desestabilizando os serviços públicos. A Defesa Civil estima que pelo menos 15 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e buscar abrigo em ginásios improvisados pela prefeitura. Além disso, as rodovias CE-040 e CE-060 foram completamente interditadas por deslizamentos de terra, enquanto o Aeroporto Internacional Pinto Martins sofreu atrasos e cancelamentos de voos devido a rajadas de vento de até 95 km/h.
O comércio e a rede hoteleira também foram fortemente impactados pelas tempestades. Estima-se que os prejuízos econômicos ultrapassem R$1,2 bilhão, incluindo danos a shoppings centers, mercados populares e feiras de rua. Além disso, os especialistas alertam para a possibilidade de contaminação da água potável devido ao transbordamento de esgotos e canais pluviais. Enquanto isso, o Parque do Cocó, uma das áreas verdes mais importantes da cidade, foi inundado, causando danos à fauna e à flora locais. Os ambientalistas temem que a quantidade de lixo arrastado pela água afete o ecossistema a longo prazo.
Os meteorologistas afirmam que as chuvas continuarão nos próximos dias, com a possibilidade de novos alagamentos e confusão. Enquanto isso, a prefeitura de Fortaleza declarou estado de calamidade e anunciou a liberação de recursos para reconstruir as áreas mais atingidas. Por fim, as autoridades recomendam que a população evite deslocamentos desnecessários e siga orientações para ficar segura. A força da tempestade apenas destacou os desafios urbanos de Fortaleza e a necessidade de infraestrutura resiliente para lidar com eventos climáticos extremos.
Texto IA (Ana Alícia)
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