Silenciosamente, a primeira gota caiu na tarde como um sussurro. Outros seguiram, formando uma melodia de saudade e começo. Por um tempo, a cidade inteira se tornou uma coisa só. As pessoas pararam para olhar de repente, os rostos virando para o céu, o som da surpresa. Mas somente dançava, livre e forte. Na janela embaçada, vi a água desenhar uma história breve, linhas evaporando como memórias fugidias. Através dos prédios da rua, uma criança abriu os braços e girou sob a chuva, seu riso soprando como um sussurro para longe. Era a felicidade mais pura que alguém poderia observar.
A chuva poderia ser marcada com nostalgia; para alguns era memória, mas para outros, uma chance de vida. Eu bebia chocolate quente e cheirava a terra úmida, a esperança de um novo amanhã e a tristeza de lembrar o ontem fluíam entre mim derramando memórias de vidro pelas janelas arrastadas. Então, ela se foi. O sol voltou, um pouco escuro e meio pálido, brilhando na poça, refletindo o passado e um futuro insípido. A cidade descia pela rua, mas eu continuava lá, ouvindo a ressuscitação do que as almas deixavam para trás. A chuva carregava vida, promessas e sonhos para o amanhã.
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