por Bárbara Rabelo
Baseado em fatos, A História Verdadeira (2015), dirigido por Rupert Goold, parte de um encontro improvável: um jornalista desacreditado e um acusado de assassinato. A trama gira em torno de Michael Finkel (Jonah Hill), ex-repórter do New York Times, cuja carreira desmorona depois de ser apanhado manipulando informações em uma reportagem. É nesse momento de fragilidade que ele descobre que Christian Longo (James Franco), homem procurado pela polícia, suspeito de matar sua própria família, usava seu nome enquanto estava foragido.
Intrigado pela coincidência, Finkel arranja uma reunião com Longo na prisão e lhe oferece um acordo: entrevistas em troca de uma tentativa honesta de contar a sua versão dos fatos. No entanto, o que começa como uma investigação promissora rapidamente se transforma num jogo psicológico tenso, em que é difícil saber quem controla quem. Longo nunca mente descaradamente, mas também nunca diz toda a verdade. Em vez disso, ele entrega frases ambíguas, confissões incompletas, e aos poucos se aproveita da necessidade de Finkel de ser útil outra vez, de provar que ainda é um bom jornalista.
O filme segue o caminho da sutileza, dos diálogos carregados de subtexto e da construção lenta de uma atmosfera incômoda. A tensão não se eleva ao nível de ação, mas de dúvida. Em determinado momento, Longo envia a Finkel um texto com o título “Sombras”, narrando com detalhes perturbadores o assassinato de sua filha mais velha. É aí que a máscara cai: Longo sabia exatamente o que fazia. E Finkel, até então envolvido emocionalmente na história, percebe que foi manipulado. Ele foi usado como instrumento o tempo todo para uma espécie de defesa pública bem elaborada.
A História Verdadeira não é apenas um filme sobre um crime cometido, mas também é um filme sobre narrativas. Sobre como elas são construídas, quem tem o poder de contá-las e, principalmente, quem está disposto a acreditar nelas. O título é também uma forma de manipular o telespectador, pois ao longo de toda a trama, a “verdade” nunca é totalmente alcançada. O que temos são fragmentos, versões e uma constante lembrança de que nem sempre quem narra está comprometido com a honestidade, às vezes está apenas tentando nos convencer de algo.
Até que ponto estamos preparados para reconhecer quando estamos sendo manipulados? E será que, em algum nível, também escolhemos ser enganados quando a mentira nos parece mais conveniente que a verdade?
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