sexta-feira, 21 de março de 2025

Outro dia de chuva

   





 Mais um dia de chuva em Fortaleza, e, mais uma vez, ela havia esquecido seu guarda-chuva em casa. Apressava o passo pela calçada molhada, tentando escapar das gotas que insistiam em encharcá-la. Sabia que correr não a ajudaria, mas, mesmo assim, acelerava.
    Ele, por outro lado, caminhava lentamente através da chuva, com seu grande guarda-chuva sobre sua cabeça. Observava a cidade, admirando como a chuva mudava a dinâmica do dia; as cores não são as mesmas, o cheiro de terra molhada toma conta de tudo, o asfalto brilha, as pessoas se apressam. 
    Foi no cruzamento da Washington Soares que se encontraram. Ela, desesperada por abrigo, tropeçou na própria aflição e, sem querer, esbarrou nele. Por um momento, apenas o barulho da chuva preenchia o silêncio constrangedor entre os dois.
    "Desculpa" - ela disse, ajeitando os cabelos molhados no rosto.
    Ele sorriu, oferecendo um espaço sob seu guarda-chuva.
    "Parece que a chuva gosta de pregar peças" - comentou, olhando para o céu escurecido.
    Ela hesitou, mas aceitou o convite. Eles caminharam juntos, dividindo o pequeno mundo seco debaixo do guarda-chuva. Aos poucos, a pressa dela desacelerou, e a tranquilidade dele encontrou companhia.
       E foi assim que, em meio à chuva, dois desconhecidos compartilharam não só um grande guarda-chuva, mas um instante. Um momento que, talvez, nem a tempestade conseguisse levar. 

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