o cheiro da chuva
de Sara Marques
Dos perfumes do mundo, o de que mais gosto é o cheiro de terra molhada, o cheiro de chuva. Ele, na minha opinião, é equivalente aos momentos que antecedem uma tempestade, os de calma ensurdecedora. Mas, diferente de uma tempestade, os momentos seguintes não remetem a desespero.
De uma maneira que ouso chamar de sagrada, as primeiras gotas de água descem e trazem com elas a cura que a terra necessita desesperadamente depois de oferecer a nós, seres humanos, mais do que poderia dar. Como se o próprio Deus mandasse esse milagre em forma de H2O para restaurar e, ao mesmo tempo, preparar a terra para ser usada novamente.
Sem água não existe vida, ela simboliza purificação e recomeço e deve ser por isso que a chuva possui a capacidade de reconfortar as pessoas. Todavia, me acanho em dizer que essas são as percepções de uma classe média que pode se dar o luxo de refletir sobre tal acontecimento. Infelizmente, por razões totalmente humanas, desfrutar da chuva não é para todos. Então, como diria Drummond, até a chuva é privilegiada para poucos.
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