A chuva caía desde as 6h da manhã. A pequena Julia, de 6 anos, acordou e sorriu, aos olhar os tão miudinhos pontos de água que caíam. Os dias chuvosos eram os seus favoritos. "Com certeza a chuva é mais legal que essa tal de neve" pensou a menina, com toda a sua experiência de nascida e criada no Mooca na década de 1950.
Era um sábado, e como de costume, a menina ia com os pais e os irmãos almoçar na casa da avó. Naquele dia, Julia havia conseguido convencer a mãe a deixar sua amiga do peito, a Laura, ir para o famoso almoço na casa da nonna, onde a melhor comida do mundo era servida acompanhada dos mais afetuosos abraços dos avós.
Para a surpresa de Julia, Laura estava mal-humorada naquela manhã de sábado chuvosa. Conhecendo a amiga, ela sabia que se Laura estava assim, certamente havia motivo, mas também sabia que poderia ajudá-la a ver as coisas como elas verdadeiramente são, especiais.
O caminho até a casa dos avós foi ainda mais especial. As gotas da chuva deslizavam sobre as janelas do carro e pareciam apostar corrida. O vento fresco que se sentiu ao descer do carro obrigou as duas amigas a se abraçarem contra o frio, o que foi uma ocasião perfeita para que Julia tivesse sucesso ao tentar tirar um sorriso de Laura.
Os avós de Julia trataram a amiga da neta como se fosse uma neta e pediram que ela voltasse no próximo sábado. Talvez o mau humor não precisasse se manter para sempre. Talvez a alegria merecesse um destaque maior no coração daquela menina.
Quando Julia e seus pais deixaram Laura em casa, a menina, que amava os dias com precipitações, sentiu que a amiga precisava daquela experiência. Para Julia, a chuva representava todo o amor que sentia pelos outros e pela vida, porque aquelas gotinhas forçavam as pessoas a ficarem juntas, se ajudarem, ensinava que não se pode viver sozinho, mas precisamos de pessoas, e as pessoas certas sempre nos trazem alegria.
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