sexta-feira, 21 de março de 2025

Lyslaine Gaspar / CRÔNICA: O refúgio da chuva

 O refúgio da chuva

Acordo mais um dia pronta para seguir ao trabalho, em uma manhã cinza, o céu está coberto por uma camada de nuvens escuras e junto vinha a sensação de que parecia estar carregado de algo mais. Olho pela janela e vejo uma mulher que tentava, apressada, abrir o guarda-chuva, mas o vento não ajudava. Eu sorri, mas algo na cena me tocou. Há algum tempo, eu também corria para fugir da chuva, sem perceber que, na verdade, ela nunca foi algo para se temer.

As primeiras gotas caíram lentamente, como se estivesse testando o terreno antes de se entregar totalmente. Logo, porém, a intensidade aumentou. O som das gotas batendo nas janelas e telhas eram reconfortantes, o cheiro da terra tomou de conta do ar, trazendo uma sensação de nostalgia.

A cidade, agora, parecia desacelerada, como se a chuva tivesse sugerido uma pausa. A corrida habitual dos carros no trânsito se transformava em um ritmo mais compassado. As pessoas, com suas roupas molhadas, caminhavam em um passo mais lento, como se não houvesse urgência em chegar a algum lugar.

A sensação que a chuva traz é difícil de descrever. Não é tristeza, mas uma certa saudade. Como se o mundo inteiro estivesse permitindo um respiro. As pessoas passam, mas a chuva as tornam quase invisíveis, cada um está dentro do seu próprio mundo e a chuva parecia puxar todos para uma realidade diferente.

Alguns correm apressados buscando abrigo, outros desfrutam o momento, todos parecem estar com um olhar perdido, como se o mundo tivesse se tornado menor, mas percebo que todos carregam dentro de si os seus próprios pensamentos.

Talvez a chuva não fosse só um tormento, mas uma oportunidade de fazer uma pausa no ritmo frenético da vida e, por um momento, é como se nos convidasse a olhar para o simples e sentir a serenidade que só um dia de chuva poderia oferecer. Em um mundo que não para, ela nos lembra que, ao desacelerarmos, podemos nos encontrar novamente para que possamos recomeçar, mais leves, mais conscientes do que realmente importa. 


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