SEXTA CHUVOSA
Era uma sexta-feira que se iniciava chuvosa. A chuva caia como se quisesse trazer a tona memorias, um certo tipo de convite para desacelerar, ouvir murmúrios da agua e pensar no passado....
A medida que observava, as gotas de chuva aumentavam, sentia seu coração bater mais forte. Impaciência, ansiedade...Nunca entendera por que, para alguns a chuva trazia felicidade genuína,, especialmente nas sextas. Para ela, as sextas eram solitárias, tristes e nostálgicas, e a chuva vinha como prova disso.
Parecia que a chuva intensificava o sentimento de solidão. A melancolia se espalhava pelo ambiente de seu pequeno e meio vazio apartamento. Enquanto caminhava pela sala, olhando porta-retratos antigos, ouvindo aquele barulho de agua que parecia estar dentro de casa, lembrava de como já tinha sido genuinamente feliz com a chuva algumas vezes. Lembranças de banhos na chuva apaixonados, do clima frio, mas , ao mesmo tempo , caloroso por ser compartilhado com alguém, eram reconfortantes; mas agora, restavam apenas as memorias.
Olhou ao seu redor e percebeu que esse sentimento precisava ser resinificado. Por mais que sentisse saudade dos dias chuvosos com companhia, ela passaria a gostar mais deles quando fossem solitários e, em vez de melancólicos, os dias de chuva, a partir daquele dia, seriam reconfortantes. Pois, por mais que trouxessem nostalgias do passado, aquelas memorias faziam parte da sua historia e ela iria seguir em frente. Nesse dia, a chuva serviria para levar embora esse pedacinho de passado e renová-la.
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