sexta-feira, 21 de março de 2025

Chuva Silenciosa

A chuva caiu, como uma bênção silenciosa sobre o dia que parecia carregar um peso insuportável. Era como se o céu, em sua imensidão, soubesse o que não se podia dizer. Não havia gritos e lamentos, apenas a água que descia, tranquila, mas insistente, como uma dor que se arrasta sem pressa. O terreno estava molhado, os rostos umedecidos, mas ninguém sabia se era pela chuva ou pelas lágrimas que teimavam em escapar.

Naquele momento, a chuva parecia dividir o peso da perda, como se ela estivesse ali, compartilhando o vazio que a ausência de um pai deixa. O som das gotas que batem no chão se misturava com os suspiros abafados, criando uma melodia sombria, mas reconfortante. Era como se a natureza soubesse que não havia consolo possível para uma dor tão profunda, mas que, ainda assim, ela estaria ali, testemunhando o fim e o começo.

Quando a cerimônia chegou ao fim, a chuva deixou de cair, dando lugar ao pôr do sol mais triste do ano, ela se foi como se quisesse dar espaço para a saudade respirar. O céu, então, parecia dizer que ninguém tinha forças para falar: que a partida é inevitável, mas que a memória, essa, se perpetua, quieta e constante, como a chuva que nunca deixa de voltar.


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