sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Crônica Tema Livre

     Dia nublado, um pouco frio, com o chiado relaxante da chuva, deixando o orvalho que descansava sob o vidro da janela ainda mais poético.

    Meus olhos abrem. Parecia cedo, mas ao mesmo tempo tão tarde se comparado com o usual, que me pergunto momentaneamente se me atrasei para a aula até checar o horário em meu telefone: 5:41 da manhã.

    "... Por que agora?" Me pergunto em voz alta, a luz do celular acordando ainda mais meus olhos sonolentos. "Eu ainda tinha vinte minutos de soninho..."

    Tento voltar a dormir, mas é inútil. Vinte minutos me remexendo e me virando na cama. Nada. Ao menos desta vez eu acordei em um horário próximo ao que eu de fato precisava acordar.

    Ouço o despertador dos meus pais - o meu foi desativado já tem um bom tempo - e logo menos, os passos da minha mãe em direção ao meu quarto.

    "Mari? Hora de acordar, filha."

    "Eu seeeeeeeeeeeei..."

    "Ora! E você já tava acordada?" Ela pergunta, animada como de costume. Diariamente me pergunto como minha mãe consegue isso, sempre acordar de bom humor. Não me lembro uma vez sequer de vê-la honestamente triste. Ansiosa, talvez, mas triste? Nunca. Sinceramente, invejo esse carisma e otimismo dela, tão contagiantes que me tiram da melancolia em que me encontrava por acordar tão cedo involuntariamente - mas é claro que vou fazer um charminho.

    "Gostaria que não estivesse..." respondo, minha voz ainda rouca.

    "Pois se levante que é hora de aula! Escove os dentes, troque de roupa e desça as escadas que vou preparar um café da manhã pra você," diz ela, enquanto eu relutantemente me levanto da cama, tão quentinha e convidativa, mas sei que seria inútil voltar para tentar dormir novamente. "Leite e waffles?" Minha mãe pergunta.

    "Leite e waffles," repito afirmativamente.

    Troquei-me com o pouco de dificuldade que sempre tenho ao me trocar junto de três cachorros querendo brincar. Com que energia eles pulam em mim eu já não faço ideia, porque eu ainda preciso de um bom café da manhã para acordar de vez.

    Desci as escadas e meu pai já estava lá, comendo seu ovo com queijo e tomando seu café com leite, pronto para me deixar na aula.

    Sentei-me à mesa e comecei a comer, grata pelo café que minha mãe cuidadosamente preparou. Das quatro cadeiras, apenas três estavam ocupadas; minha irmã mais velha sempre fazendo falta.

    "Recapitulando," começou minha mãe, "hoje eu trabalho somente à tarde, então você, Neto," ela se virou para meu pai, "deixa a Mariana na faculdade e eu a busco para almoçarmos. Depois, ela fica em casa pra dar o almoço dos meninos," diz ela se referindo aos cachorros, que estavam conosco, deitados aos pés da mesa, "estamos combinados?"

    Eu e meu pai assentimos, quase sincronizados e espelhados. São aquelas coisas de pai e filha que parecem até geneticamente herdadas.

    No carro, meu pai começa com sua infinita, estupenda e maravilhosa coleção...

    ...De piadas ruins.

    "Ei, Mari."

    "Hum?"

    "Existia um cachorro que vivia fora de casa, e a mulher que criava ele começou a chamá-lo de Pra Dentro, pra facilitar o chamar dele pra dentro. O tempo passou e o cachorro cresceu, aí a mulher começou a querer ele mais pra fora de casa, deixando assim o cachorro confuso, porque ela vivia falando 'Pra Dentro, pra fora! Pra Dentro, pra fora!'"

    O encarei com um olhar inexpressivo enquanto ele me olhava com um sorriso do tamanho do mundo.

    "Piada de pai," ele disse sorrindo.

    Até que a risada escapou. Não aguentei o péssimo senso de humor dele.

    Impossível deixar de amar esses dias, tranquilos como o orvalho que me agraciou nesta manhã de sexta-feira.


Mariana Rodrigues

Crônica - Pequena Amostra

Pequena Amostra

Por Luanna Moura

Se o inferno pudesse se materializar na terra, eu diria que ele tomaria a forma de um ônibus lotado logo de manhã cedo. 

Parece um tanto exagerado, mas é algo que penso todos os dias quando me encontro na parada, esperando o fatídico veículo de número 41 — que passa no terminal da Parangaba e leva quase metade da população de Fortaleza num espaço de 50 metros quadrados. A outra opção é o ônibus 24, muito mais simpático e frequentemente mais vago que o seu alternativo. Infelizmente, às 6:30 da manhã de uma segunda-feira, não há para onde fugir: todos estão lotados, e toda vez que coloco os pés nos degraus de entrada, sei que a porta pode fechar nos meus braços, nas minhas pernas ou nas minhas costas, puxando minha mochila para fora. 

O motorista nem sempre é simpático, mas ele sempre vai abrir a porta da frente, nem que seja para que os pobres trabalhadores no ponto de ônibus vejam que é impossível se colocar ali nem que seja por um milímetro. O motorista é, afinal de contas, aquele que irá nos acompanhar numa viagem desafiadora até nossos destinos finais, e ele pode — se lhe convier — nos avisar do que está por vir.

Na pequena amostra infernal que é o ônibus lotado antes das sete da manhã, é possível encontrar de tudo: crianças chorando, pessoas dormindo, idosos falando alto ao telefone, pregadores de igreja desafinados, um grupo de amigos da mesma faculdade, grávidas, deficientes físicos, vendedores de jujuba, homens tatuados até o pescoço, adolescentes de cabelo colorido, dentre diversos outros exemplos. É uma amostra da cidade, dos mundos que nunca teríamos contato fora das nossas bolhas. 

Mas imagine o mundo inteiro reunido em um espaço apertado e limitado? É claustrofóbico, sufocante, irritante e asfixiante. A mistura de aromas pode ser suportável ou intragável dependendo da sorte. Ainda que eu goste de pensar que sou muito cabeça fria, há viagens que desafiam minha sanidade mais do que outras. Lido com isso da melhor forma que posso. Se eu pudesse me classificar, eu estaria no grupo dos passageiros estratégicos, um dos muitos que não consegui citar. Dentro do ônibus, eu já não sou uma humana comum: sou uma humana-ameba, distorcida e maleável, me espremendo entre as pessoas até o lugar mais fundo do veículo. 

Lá, a sensação de sufocamento não acaba, sendo tomada por uma raiva descomunal por todas as pessoas ao redor. As portas abrem, parada por parada, e nenhuma pessoa sai. Às vezes uma põe os pés para fora, seguido de outra, mas o espaço continua apertado. A viagem parece sem fim, os ponteiros do relógio andam para trás e a única coisa que sei é que já amaldiçoei mais de dez pessoas por motivos muito fúteis, como respirar pesadamente perto do meu pescoço ou usar um perfume enjoativo. 

E só me resta pensar: será que sou assim mesmo, tão detestável? 

Mas as portas finalmente se abrem para mim. Eu pulo para fora, e o ar fresco invade o meu corpo junto com a luz do sol. Respiro bem fundo e penso: escapei do inferno, até que enfim!


Resenha do filme “Mil Vezes Boa Noite”, por Maria Cecília Tavares Lavor

“Mil Vezes Boa Noite” é um filme que deixa uma marca profunda, especialmente para quem trabalha com jornalismo. A trama gira em torno de Rebecca, uma fotógrafa de guerra, interpretada de maneira impressionante por Juliette Binoche. A história retrata sua luta para equilibrar a paixão pela profissão e a vida pessoal, um dilema que eu, como jornalista, compreendo bem.


O filme começa com uma cena impactante em um atentado em Cabul, onde Rebecca capta imagens que são tanto poderosas quanto perturbadoras. Esta abertura me fez refletir sobre a responsabilidade de contar histórias que envolvem muitas vezes sofrimento e perda. Acho que essa dualidade entre ser testemunha e narradora é uma questão central na vida de muitos jornalistas, e “Mil Vezes Boa Noite” faz um excelente trabalho ao explorar essas camadas.


A relação dela com a família, especialmente com o marido e as filhas, traz uma humanização à narrativa. A tensão entre sua dedicação ao trabalho e as expectativas familiares, é algo que ressoa com muitos de nós que equilibramos a busca pela verdade com a necessidade de estar presente para aqueles que amamos. Penso que a escolha de Binoche foi essencial, pois sua atuação é carregada de emoção e vulnerabilidade, permitindo que o público entenda suas motivações complexas.


Visualmente, o filme é deslumbrante, com imagens de guerra que são ao mesmo tempo, chocantes e bonitas. A cinematografia de Tom Stern capta a beleza e a brutalidade dos cenários onde Rebecca atua, contribuindo para o sentimento de desamparo que permeia sua jornada. No entanto, algumas partes da narrativa podem parecer lentas para alguns, o que pode comprometer a experiência de visualização.


Além disso, a abordagem do filme à ética jornalística é um ponto que me chamou a atenção. O questionamento sobre até onde devemos ir para documentar a verdade é um dilema que muitos jornalistas enfrentam diariamente. A conclusão do filme, que explora as consequências de suas decisões pessoais e profissionais, deixa uma sensação de ambiguidade moral que é difícil de ignorar.


Em suma, “Mil Vezes Boa Noite” é uma reflexão poderosa sobre a complexidade do trabalho jornalístico e suas implicações pessoais. Eu recomendaria este filme não apenas para jornalistas, mas para todos que se interessam por histórias de resiliência humana e a busca pela verdade em um mundo repleto de conflitos. É um lembrete tocante de que, por trás de cada imagem, existem realidades e histórias que merecem ser contadas.

Resenha do filme “O Escândalo”, por Maria Cecília Tavares Lavor

       “O Escândalo” (2019), dirigido por Jay Roach e escrito por Charles Randolph, é um drama poderoso que aborda o escândalo de assédio sexual envolvendo Roger Ailes, ex-presidente da Fox News. O filme revisita a luta de várias mulheres, incluindo figuras reais como Megyn Kelly (Charlize Theron) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman), que desafiaram um sistema denominado por homens e expuseram a cultura tóxica da emissora. 


A narrativa é conduzida eficazmente, alternando entre as histórias pessoais das protagonistas e a escalada do movimento contra o assédio. A direção de Roach captura a tensão e o medo que permeiam o ambiente de trabalho, enquanto o roteiro de Randolph habilmente entrelaça elementos de drama e humor, tornando a experiência emocionalmente envolvente.


As atuações do elenco são notáveis, com Theron e Kidman entregando atuações impactantes que transmitem tanto vulnerabilidade quanto força. Margot Robbie, como Kayla Pospisil, um personagem inspirado em várias funcionárias reais, acrescenta uma perspectiva juvenil e inocente ao debate, tornando a narrativa ainda mais impactante.


O filme não apenas faz uma crítica ao machismo institucional, mas também celebra a coragem das mulheres que se uniram para reivindicar seus direitos. Com uma edição dinâmica e uma trilha sonora que intensifica os momentos-chave, “O Escândalo” se estabelece como um testemunho relevante sobre a luta pela justiça e igualdade no ambiente de trabalho.


Em suma, “O Escândalo” é uma obra que provoca reflexão, destacando a importância de dar voz às vítimas e de lutar contra a impunidade. É um relato essencial que ressoa não apenas no contexto da Fox News, mas em todas as esferas onde a opressão e o silêncio ainda persistem.

Crônica texto livre

                                                               Jornada diferente


        Hoje amanheci com uma notícia não muito boa. Minha mãe acordou doente e me falou que não poderia me deixar na faculdade e que eu teria que arranjar algum jeito de vir à aula. Pensei em vir de ônibus, mas lembrei do Victor, irmão da minha amiga. Ele faria o mesmo trajeto que normalmente eu faço, se não fosse por um único detalhe: Eu ter que ir até sua casa. 

           Infelizmente, a casa do Victor é muito distante para fazer o trajeto a pé, eu tinha duas alternativas, ir de ônibus ou de moto uber. O grande detalhe é que ele já estava saindo de casa quando o questionei sobre o horário de saída, eu peguei o celular e tentei pedir uma moto por aplicativo, só que demoraria muito, desde aceitar a corrida até eu chegar na sua casa. Lembrei que estava comigo o meu bilhete único, então corri para a parada de ônibus mais próxima e subi no primeiro que eu consegui. 

          Foi angustiante pensar que eu poderia estar atrasando-o, mas de um jeito ou de outro eu pegaria uma carona com ele. Após 10 minutos, finalmente cheguei até sua casa. Tive que esperar um pouco quando cheguei, mas logo ele chegou e entrei no carro. Não pegamos muito trânsito, chegamos consideravelmente cedo e deu para descansarmos um pouco no carro até o horário de nossa aula começar.

Resenha - Filme O Escândalo .

 





Crítica | O Escândalo é o pontapé inicial de uma luta que não acabou.



Baseado em fatos e lançado em 2020, o filme “O Escândalo” narra uma sequência de perturbações e investidas contra mulheres. A produção determina a denúncia de abusos que derrubaram o presidente da Fox News.

As atrizes Margot Robbie, Charlize Theron e Nicole Kidman, que interpretam apresentadoras da emissora, brilhantemente exibem ocorrências reais que frequentemente são escandalizadas vez por outra.

A dramaturgia Escrita por Charles Randolph, segue de três funcionárias da Fox News que, impulsionadas pelas histórias umas das outras, decidem se pronunciar sobre as investidas de assédio sexual de Roger Ailes.

O gigante do telejornalismo e antigo CEO da Fox News, tem seu poder questionado e sua carreira derrubada quando esse grupo de mulheres o acusam de assédio sexual no ambiente de trabalho.

As funcionárias da Fox News denunciam a cultura de masculinidade tóxica da empresa de mídia norte-americana, levando à queda do magnata.

Não há como refutar o exemplo dado porque, segundo pesquisas cresce assustadoramente as investidas às mulheres. E por mais que muitas pessoas estejam cientes das nefastas causas de comportamentos não abrangentes, como importunação, constrangimento e distinção, as ações ou comportamentos mais sutis que constituem as tentativas hostis podem ser mais difíceis de identificar; muitas vezes não são intencionais ou são minimizados como “piada”.



Por Silvanio Lavor.




Texto Informativo sobre a banda Iron Maiden

                                      



                                                    Foto: www. wikimetal.com.br

                                                                                                   Iron Maiden


                  Iron Maiden, é uma banda britânica de gênero musical heavy metal, formada/fundada na cidade de Layton, East London ,no ano de 1975, pelo músico compositor e baixista Steve Harris. A banda, que possui 49 anos de existência, contou com diversas formações de membros ao longo do tempo, tendo como membros oficiais atualmente: Steve Harris, (como baixista), Nicko McBrain, (como baterista), Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers (como guitarristas) e Bruce Dickinson (como vocalista).Diversos discos/álbuns foram lançados pelo grupo, sendo os discos Powerslave, The Number of the Beast, Somewere in time, Iron Maiden, (auto - intitulado), Killers, e Fear of the Dark, alguns dos mais famosos.



                Vários críticos mundiais da indústria musical "rasgaram" elogios á banda, argumentando que o grupo possui grandes qualidades no mundo musical, tanto em composições, quanto em performances artísticas, popularidade no gênero comparado a outras bandas do mesmo estilo, habilidade de cada integrante em cada instrumento, vendas de discos, munhequeiras, baquetas e camisas personalizadas, entre outros exemplos. Vale ressaltar que o grupo tem muito tempo de carreira na indústria, conquistando milhares de fãs espalhados pelo mundo inteiro, das mais diferentes faixas - etárias, se apresentando em shows e em turnês mundiais, sendo que a expectativa de tempo nos palcos, ainda é de muito tempo.



   - Matheus Menezes Souza

                                               

                               

Trabalhador rural de feira livre morre afogado

     João Gostoso era um carregador de alimentos que trabalhava na feira livre da Babilônia. Em uma noite    depois de chegar em seu barracão muito cansado de seu trabalho ele decidiu ir ao bar com seus amigos.  eles beberam, cantaram, dançaram relatam pessoas que estavam com os envolvidos no local. 

Quando já era de madrugada todos muito bêbados decidiram ir para suas casas. Enquanto isso João decidiu ir pelo caminho que passava pelo lago da cidade.

 No outro dia (7/6) eles receberam a notícia de que João se jogou no lago Rodrigo de Freitas para recuperar as chaves de casa que deixou cair e assim morreu afogado.


RESENHA - FILME O ESCÂNDALO


    "O escândalo", com título original "bombshell", é um filme de drama biográfico, lançado em 2019, dirigido por Jay Roach, mesmo diretor de "entrando numa fria", e estrelado por Nicole Kidman, Margot Robbie e Charlize Trenon. O drama aborda o escândalo do assédio sexual cometido por Roger Ailes, à época, CEO da Fox News, e de seus colegas poderosos dentro da rede. 

    O filme, que é envolvente e dinâmico, mantém o espectador engajado com o tema tão repugnante e atual vivido por aquelas mulheres e quão longe elas podem chegar unindo forças. Apesar da atuação impressionante das atrizes, o que ganhou destaque foram as caracterizações, levando o Oscar de Melhor Maquiagem e Penteado em 2020.

     É um filme importante embora alguns críticos tenham demonstrado insatisfação por ter deixado lacunas ao abordarem o tema. 

Resenha "Mil Vezes Boa Noite"

Resenha de Mil Vezes Boa Noite




foto: https://filmow.com/mil-vezes-boa-noite-t72453/




    O filme Mil Vezes Boa Noite, produzido em 2013 sob a direção de Erik Poppe, conta a história de Rebecca, uma fotógrafa de guerra apaixonada por seu trabalho, mas que se encontra em um impasse: deveria ela focar em sua família, que anda preocupada com o bem-estar dela na linha de frente de tantos conflitos, e abandonar sua profissão, ou deveria ela continuar a seguir sua carreira, fazendo aquilo que ama ao expor a realidade do mundo às massas, mas sabendo que isso poderá eventualmente magoar aqueles que mais ama?
    O longa de 117 minutos de direção conta com uma narrativa sólida, com uma estrutura coerente, e direção excepcional, de cinematografia bem-produzida e impactante, com personagens marcantes que realmente lhe fazem refletir "o que eu faria se estivesse no canto deles?", tudo isso graças à atuação excelente de Juliette Binoche (Rebecca), Nikolaj Coster Waldau (Marcus) e Lauryn Canny (Steph), que conseguiram encarnar seus personagens muito bem.
    Ainda assim, nem tudo é um mar de rosas. A escassez de cenas leves torna a atmosfera do filme ainda mais pesada e um pouco cansativa às vezes, podendo inclusive tornar-se um gatilho para os fracos de coração, com algumas cenas fortes devido aos diálogos e/ou às mensagens implícitas nas próprias ambientações e ações dos personagens.
    Mesmo assim, o filme é, sem dúvida, extremamente bem produzido e uma experiência sem igual, que de fato lhe faz abrir a mente para pensamentos de natureza mais crítica e reflexiva. Vencedor de três prêmios Amanda (Melhor Filme Norueguês, Melhor Música e Melhor Fotografia), o filme realmente faz jus à experiência excepcional que promete.

Mariana Rodrigues
30/08/2024

Notícia retirada do poema de Manoel Bandeira.

   Trabalhador conhecido no morro da Babilônia como João Gostoso é encontrado morto na lagoa Rodrigo de Freitas.

 Familiares e amigos realizam nessa quarta-feira (14), uma homenagem a João Gostoso, na feira livre onde a vítima trabalhava.

          POR MARIANA GOMES

    João Miguel, de apenas vinte anos, foi encontrado morto, às oito da manhã de uma segunda-feira (12), na lagoa Rodrigo de Freitas, após pescadores notarem cheiro estranho. Autoridades chegaram ao local e foram avisados por moradores locais, que, João Miguel era conhecido na região, e era frequentemente avistado embriagado nos arredores da lagoa.

    Alguns amigos puderam notar que a vítima andava mais estressada no trabalho. João trabalhava numa feira livre, como carregador, "Ele chegou até a brigar com um dos fornecedores da feira, semana passada.", relatou Marcos, amigo de infância de João.

    De acordo com testemunhas, João Gostoso era frequentemente visto nos arredores da lagoa, era muito prestativo e calmo com todos os habitantes locais. "A gente até se espanta com o que aconteceu, João era tão bom, o único defeito era a bebida, né. Todo mundo já conhecia ele por aqui, vivia brincando e fazendo graça.", acrescentou dona Jude, dona dor bar Vinte de novembro, último local que João foi visto com vida, na noite anterior.

    Na noite passada, (11), João Miguel teria saído do trabalho, para o barracão sem número onde morava no morro da Babilônia, e ido direto para o bar de dona Jude, uma rotina já conhecida pelos frequentadores do local. Nesse dia em específico, João saiu do bar mais cedo acompanhado de dois amigos e um homem não identificado.

    Em nota, policiais afirmaram que o corpo foi identificado pelos próprios moradores e familiares da vítima. O corpo de João foi encontrado sem objetos de identificação como, carteira, ou identidade. As investigações do caso continuam.


   


Resenha O Escândalo

 

                                                Resenha descritiva do filme “O Escândalo”

     Na obra “O Escândalo”, lançada em 2019, dirigida por Jay Roach (Entrando numa fria), traz como protagonistas 3 mulheres que trabalham no grande jornal norte americano Fox News. O filme conta a história de Kayla Pospisll (Margot Robbie), Megyn kelly (Charlize Theron) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman), ambas vítimas de assédio do seu superior e Chefe de redação, Roger Ailes (John Lithgow).

      Primeiramente, nos é apresentada Megyn, apresentadora de um Jornal, que encara diretamente Donald Trump, candidato a presidência dos Estados Unidos, e que recebe constantemente ofensas de seus apoiadores. Logo em seguida, Gretchen, apresentadoras de um dos programas de baixa audiência da Fox, que recebia comentários machistas de colegas de trabalho e falas assediadoras de Roger, é mostrada. Das 3, ela foi a primeira a querer justiça pelos atos de seu chefe. Em cenas seguintes, Kayla, recém-contratada, é ofertada com uma promoção por Roger, que obviamente seria concedida apenas se ela fizesse algo com ele, e assim foi feito.

     Após ser demitida, Gretchen processa a Fox e é apontada como uma aproveitadora por ter feito isso somente depois de sua demissão e não durante os episódios de assédio. Em busca de comprovar os atos de Roger, Gretchen procura mulheres que já tenham passado por situações semelhantes as dela. E assim as 3, tendo em comum suas histórias, denunciam o chefe e buscam finalmente o fim desse ato.



Eduardo Ferreira Santos

1 semestre de jornalismo 2024.2


Corpo de homem é encontrado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.


    Moradores da região reconheceram imediatamente o corpo por se tratar de um famoso feirante da zona sul.


O corpo de um homem foi encontrado na manhã da última sexta feira (23), às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, ponto turístico da zona sul do Rio de Janeiro. O homem, já identificado como João Gostoso, residia no Morro da Babilônia, há apenas 5 quilômetros de onde seu corpo foi localizado.


Testemunhas relatam que João Gostoso estava na noite anterior em um bar chamado vinte de novembro, em Ipanema, com uma mulher ainda não identificada. O que chamou atenção dos frequentadores é que a mulher tinha uma aliança chamativa no dedo anelar da mão esquerda e evadiu-se rapidamente do local após a chegada repentina de um homem também não identificado. 


A conduta inesperada relatada pelas testemunhas na noite anterior da sua morte e os comentários de seus vizinhos do Morro da Babilônia chamaram a atenção da polícia. Carlos, vizinho de João Gostoso, acredita que seu amigo não caiu acidentalmente na Lagoa, e ao prestar o seu depoimento, informou que ultimamente havia notado um comportamento diferente de seu amigo de infância, como se estivesse vivendo um novo amor. 


A partir das informações levantadas, a polícia não descarta a possibilidade de ter ocorrido um crime, não abordando mais como um mero afogamento. As autoridades responsáveis ainda investigam a causa do falecimento. 



Lorena Matos, estudante de jornalismo. 26 de agosto de 2024.


Notícia.

 

JORNAL ULTIMATO

|Quarta-feira, 10 de maio de 1985|

Homem embriagado morre em lagoa.



João Gostoso sempre fazia hora em um bar próximo ao local de trabalho e infelizmente na noite dessa terça-feira seu tempo acabou.



Redação por Silvanio Vieira

    Por volta de uma e meia da manhã desta terça-feira, Joao André, vulgarizado por João Gostoso, carregador de feira livre, morreu afogado na lagoa Rodrigo de Freitas e só foi encontrado 5 horas depois. João morava nas proximidades do bar onde sempre frequentava.

    Populares informaram à polícia que, uma hora antes, o homem teria sido visto cantando e dançando próximo ao local do ocorrido na rua das fontes e apesar da euforia parecia preocupado e falava em abandonar sua vida. 

    Observaram também que era costumeiro o carregado sair do trabalho, beber e chegar tarde em casa embriagado. A dona do bar, a senhora maria clara de nunes, salientou que naquela noite João chegou triste e pensativo. Depois de umas horas João não mais foi visto e só depois a notícia do falecimento

    O que poderia ter causado a morte, segundo a família, teria sido o homem depois de embriagado, entrar na lagoa para tomar banho, afogado-se  e não mais visto com vida.

    Familiares da vítima acompanharam a transferência do corpo ao IML e se dispuseram às investigações.



Notícia Fictícia (baseado em poema de Manoel Bandeira)

                                                 


HOMEM MORRE AFOGADO NA LAGOA RODRIGO DE FREITAS,NO RIO DE JANEIRO.

                             Acontecimento surpreende moradores locais.


             Nesta Quinta-Feira á noite, dia 22 de Agosto, um homem  identificado apenas pelo apelido de "João Gostoso", que trabalhava  como carregador de feira - livre e residia no Morro da Babilônia, faleceu vítima de um afogamento na Lagoa Rodrigo de Freitas.

            Após investigações, peritos descobriram que, momentos antes do ocorrido, João havia estado num bar chamado "Vinte de Novembro", policiais foram até o estabelecimento para ouvir os depoimentos das testemunhas.

          -"Eu o vi entrar no bar, bebendo, cantando e dançando, logo após, saiu pela porta da frente e foi em direção ao lago, mas pensei que ele fosse apenas admirar a vista.". Disse uma testemunha aos policias, que prefere não ser identificada.

             A Polícia suspeita de que o homem agiu inconscientemente, mas as investigações seguem em andamento.



         -Matheus Menezes Souza

Notícia tirada de um poema de Manoel Bandeira

Homem morre afogado na Lagoa Rodrigo de Freitas

    Neste domingo (20/11), o corpo de João Gostoso, 32, residente do Morro da Babilônia, foi encontrado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Polícia suspeita de suicídio.


    João Gostoso, 32 anos, foi encontrado morto devido a afogamento na Lagoa Rodrigo de Freitas nesta manhã de domingo (20/11). Testemunhas avistaram o homem pela última vez na noite anterior, no bar Vinte de Novembro, local que João visitava com frequência e do qual havia saído desacompanhado.
    "É uma pena de verdade, ver o João assim," diz Penha, funcionária do bar e conhecida de João. "Todo mundo gostava dele. Era simpático e sabia como alegrar alguém."
    A polícia deve se pronunciar oficialmente dia 26 deste mês, mas, de acordo com o cabo Pedro Machado, responsável pela investigação, tudo aponta para um caso de suicídio por afogamento. "Foram encontradas diversas dívidas financeiras na casa do indivíduo," diz cabo Machado. "Não é incomum encontrar casos como esse hoje em dia, infelizmente."

Mariana Rodrigues
21/11/1930

Notícia Manuel Bandeira

    Homem de 40 anos morre afogado em lagoa no Rio de Janeiro

           

   Na madrugada do dia 23 de setembro, João Paulo Oliveira Fernandes, 40, conhecido como João gostoso, morreu afogado na Lagoa Rodrigo de Freitas, após cair em decorrência da quebra de um pedaço da ponte sobre a Lagoa.

     Segundo Batista dos Santos, dono do bar "Vinte de Novembro", localizado próximo a Lagoa e local frequentado por João Gostoso, a ponte há mais de um mês já apresentava pontos frágeis em sua estrutura, o que causou a queda. 

     Ainda na entrevista, Batista falou que João era um homem alegre, que toda sexta feira ia ao bar, conhecido por ser o que mais cantava, bebia e dançava no local, sempre fazia o trajeto de atravessar a ponte para ir até seu barracão sem número no morro da Babilônia. 

    Após essa tragédia, a prefeitura do Rio de Janeiro interditou o local para reforma e reestruturação da ponte, e pediu desculpas a população pelo incidente. A obra tem seu fim previsto para o próximo mês.



Eduardo Ferreira Santos, estudante de jornalismo, 30 de agosto de 2024

domingo, 25 de agosto de 2024

Notícia Fictícia (Período de chuvas)

 Alagamentos na capital causam problemas no trânsito

De carros atolados a acidentes graves, Fortaleza vive uma epidemia de alagamentos em todas as partes da cidade

Redação por Luanna Moura | Jornal Ateliê | 19/06/2024 às 09:45

Quando o dia amanhece nublado, os fortalezenses de todas as classes sabem que um grande sufoco está por vir. A chuva, não importa quão leve, sempre causa problemas na locomoção das pessoas devido à falta de planejamento urbano. O asfalto da maioria dos bairros de Fortaleza é de má qualidade, gerando buracos do tamanho de crateras que ficam escondidos debaixo de poças d’água quando chove. Como a vista fica limitada em dias chuvosos, muitas pessoas acabam não enxergando os buracos e acabam danificando seus carros, gerando engarrafamentos estressantes que só pioram a situação.

Segundo Victor Crispim, estudante do ensino médio, sair de casa quando está chovendo é sempre um desafio. “Uma vez, quando estava caindo uma chuva torrencial, o carro da minha tia ficou atolado numa grande poça d’água, justo no horário em que ela estava me levando para a aula. O carro não saia do lugar de jeito nenhum e tivemos que chamar ajuda”, diz o rapaz de 15 anos em entrevista. A dificuldade de se locomover na cidade prejudica as pessoas para além do trânsito, comprometendo a pontualidade no trabalho e nos estudos. “Foi horrível. Tive que fazer segunda chamada de uma prova por causa disso!”, Victor complementa.

O asfalto não é o único problema. As calçadas de Fortaleza também são repletas de buracos, e muitas ficam escorregadias durante o período das fortes chuvas. Valéria Almeida, operadora de telemarketing, relata ter precisado se afastar do trabalho por vinte dias pois sofreu um acidente enquanto corria para pegar o ônibus. “Estava chovendo muito e eu estava atrasada para o trabalho. Vi que meu ônibus já tinha chegado e já havia passado da parada. Eu corri para tentar alcançá-lo, mas escorreguei no chão molhado e caí de mau jeito. Torci meu pé e tive que ficar enfaixada por quase um mês. Meu chefe quase me manda embora!”, comenta Valéria.

Para concluir seu pensamento, ela frisa que é importante correr atrás dos direitos do cidadão e exigir condições melhores de locomoção, tanto a pé quanto por veículos. Em 2023, somente entre os meses de janeiro e junho, a prefeitura de Fortaleza recebeu mais de oito mil reclamações de pessoas sobre as condições da cidade durante o período chuvoso. Alguns cidadãos chegaram a pedir indenização pelos transtornos, referindo a atrasos provocados pelos engarrafamentos, acidentes (dos leves aos graves) e estresse significativo. 


Resenha - O Escândalo

“O Escândalo” faz da coragem a principal notícia

Filme é bem sucedido ao mostrar uma das funções mais importantes do jornalismo: a de denúncia

Luanna Moura | Revista Ateliê de Leitura e Produção Textual

11.03.2024 às 16:12 | atualizado em 19/06/2024 às 09:39

Foto: Divulgação/Lionsgate

Ao se deparar com o poster oficial do filme “O Escândalo”, de 2019, um espectador desavisado pode confundi-lo com uma nova versão de As Panteras, ainda mais quando se leva em conta o seu título original em inglês “Bombshell” (em tradução livre: “mulherão”). No entanto, o semblante sério de Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie nos avisam que não é uma aventura eletrizante que está por vir; muito pelo contrário — estamos prestes a enfrentar uma grande dor de cabeça. 

É certo que, em 2019, a sociedade americana ainda tinha muito frescas na memória as acusações de abuso sexual contra o grande chefão da Fox News, Roger Ailes, que vieram à tona dois anos antes. A decisão do diretor, Jay Roach, de abordar um assunto tão delicado muito antes de a poeira baixar, é uma prova de seu compromisso com a denúncia social que tanto o cinema quanto o jornalismo são conhecidos por proporcionarem. 

Juntamente com o roteirista Charles Randolph, o diretor consegue mostrar o processo de denúncia como ele é de fato: uma cadeia de eventos desordenados que partem de um ponto principal. E esse ponto é o processo de Gretchen Carlson (Nicole Kidman) contra o diretor da Fox (John Lithgow) por abuso sexual. Em estilo documental com direito a algumas quebras da quarta parede, a problemática é apresentada e desenvolvida através do questionamento ao status quo em uma sequência de protestos corajosos. 

Somos introduzidos ao ritmo frenético dos bastidores do jornal televisivo com a figura política de Donald Trump, um notório misógino, cujas falas difamadoras contra mulheres beiram ao censurável. Megyn Kelly (Charlize Theron) é a âncora responsável por moderar o debate primário republicano e está determinada a bater de frente com as ideias de Trump. Quando Megyn cita as falas problemáticas do político em relação às mulheres durante o debate ao vivo, sua carreira se torna alvo de comentários ainda piores do que os do então futuro presidente, comentários esses que se tornam um boicote movido pelas redes sociais.

No filme, as linhas do pensamento machista são apresentadas de forma bastante clara, sem eufemismos ou censuras. Não só a carreira de Megyn se torna alvo de críticas injustas, mas também a sua aparência e o seu estado de sanidade. O longa-metragem representa a covardia e a insustentabilidade de um mundo governado por homens incapazes de enxergar mulheres além de objetos. Se uma mulher questiona os seus opressores, ela é automaticamente taxada de louca e, de repente, toda sua atratividade desaparece. 

Assim, a aparência da apresentadora Gretchen também é violentamente caçoada por Roger. Ele a reprime depois que ela aparece ao vivo sem maquiagem para incentivar as meninas a “serem elas mesmas”. Infelizmente para Roger, aquele não seria o último atrito entre os dois; depois de aturar em silêncio um rebaixamento de horário por se recusar a ter relações sexuais com o seu chefe, Gretchen abre um processo público contra Roger. Ciente de que outras mulheres também criariam coragem de denunciar seus próprios abusos depois do seu ato, Gretchen permanece firme em meio às acusações de que seu sofrimento não passaria de mentiras difamatórias.

Como qualquer revelação polêmica, as palavras de Gretchen são vistas como irreais. Roger possui muitos aliados dispostos a dividir trincheiras com ele nessa guerra; ainda que o processo ganhe atenção midiática, um homem poderoso como ele não sai prejudicado logo de início. 

As coisas começam a mudar quando Megyn, que também foi assediada por Roger, sai à procura de testemunhas. Aqui, Charlize Theron faz um belo trabalho ao demonstrar o estresse e a insegurança de uma vítima de abuso sexual na jornada até a denúncia. Seu silêncio é questionado por Kayla Pospisil (Margot Robbie), outra vítima de Roger, que lhe pergunta: “você não pensou no quanto o seu silêncio poderia afetar todas nós?”. O diálogo das duas é particularmente impactante por mostrar o dilema entre se submeter para crescer na empresa e lutar pela justiça por si mesma e por outras mulheres. 

A narrativa chega a seu grande ápice quando Megyn denuncia Roger publicamente. A melhor parte, sem dúvida, é quando a advogada de Roger lhe conta que as acusações de Gretchen são baseadas em evidências gravadas. Ver o rosto de Roger murchar em desesperança é como saborear um prato frio de vingança: extremamente satisfatório.

Um ponto interessante é que, antes mesmo que Megyn fizesse sua denúncia formal, vinte e duas mulheres já haviam passado para contar suas próprias histórias de horror. A coragem de uma única mulher fez com que um efeito borboleta se desencadeasse, derrubando, assim, alguém considerado intocável. Embora o ritmo do filme não seja dos melhores, ele consegue passar a sua mensagem. Sem dúvida, o ponto alto é a atuação das três personagens principais e a sensibilidade ao mostrar os seus sentimentos (culpa, raiva, vulnerabilidade, medo, dentre outros). 

É um filme que cumpre o que promete e o faz sem medo de controvérsias, sem medo de mostrar as faces mais nocivas do machismo em ambientes corporativos e em qualquer tipo de contexto. O mais importante, porém, é que o filme se compromete com a verdade, tal qual um bom jornalista. No fim das contas, escândalos são necessários de vez em quando. 


Notícia (Desfile de Carnaval 2024)

 “Fogo Nos Racistas”: Figura do Bandeirante Escravocrata Borba Gato é Incendiada e Pichada no Desfile da Vai-Vai.

Com o brado “preconceito nunca mais”, a bateria fez um protesto emocionante em meio aos toques de samba.

Redação por Luanna Moura

Revista Ateliê de Leitura e Produção Textual | Revisão: Aila Sampaio

Fortaleza (CE) | 13 de fevereiro de 2024, às 13:34



Dançarinos da Vai-Vai desfilam ao redor da figura queimada e pichada de Borba Gato

Neste sábado (10), a escola de samba Vai-Vai, maior campeã do carnaval de São Paulo, abriu a noite no sambódromo do Anhembi com o samba enredo “Capítulo 4. Versículo 3 - Da Rua e do povo, o hip hop: um manifesto paulistano”. A bateria homenageou as contribuições do povo negro à cultura do nosso país, com destaque aos estilos musicais hip hop e trap. Com muito estilo, a Vai-Vai soube conduzir seus posicionamentos críticos através de belos figurinos e sambistas talentosos.

Em meio às roupas coloridas que faziam alusão ao grafite, a escultura do bandeirante Borba Gato chamou a atenção do público. A enorme figura, muito similar ao monumento paulista, tinha luzes vermelhas de LED iluminando seus pés, simulando um incêndio. Além disso, a escultura foi pichada de cima a baixo, sendo a pichação uma forma notória de manifestação, resistência e protesto nos centros urbanos. Na parte de trás do carro alegórico que trazia a escultura, estava escrito “fogo nos racistas”.

De forma literal, a Vai-Vai conseguiu relembrar o público de um protesto ocorrido em 2021 na grande São Paulo, que obteve repercussão nacional. Em julho daquele ano, um grupo de manifestantes que se intitulava Revolução Periférica atearam fogo na estátua de Borba Gato, na zona sul da capital paulista. O monumento, inaugurado em 1963, é alvo de críticas por homenagear um escravocrata, responsável por dizimar povos indígenas durante o processo de interiorização do território brasileiro. A estátua já havia sido pichada em 2016, juntamente com o Monumento às Bandeiras, outro símbolo da exploração colonial. 

O posicionamento moral e político da escola de samba não parou por aí. Em uma de suas canções, o enredo trouxe a sua mensagem de forma explícita mais uma vez: “Preconceito nunca mais. Fogo na estrutura. Justiça, igualdade e paz”, dizia a letra, em referência à estrutura racista da sociedade brasileira. E para sedimentar as crenças da bateria, o comentarista Milton Cunha deixou bem claro: “Não somos todos iguais; não viemos dos mesmos lugares”. Num país cujos preconceitos são tão enraizados, a meritocracia não tem espaço, e cabe a nós lutar por um futuro melhor.


Notícia de jornal tirada de um poema

JORNAL DO TRABALHADOR

| Sexta-feira, 10 de maio de 1930 |

Homem bêbado se atira na Lagoa Rodrigo de Freitas e morre afogado

João Gostoso era um frequentador assíduo do bar Vinte de Novembro, mas nesta noite de quinta-feira, as coisas passaram dos limites

Redação por Luanna Moura

Nesta quinta-feira, dia nove de maio, um homem bêbado, conhecido como João Gostoso, se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu por afogamento. João era um morador do Morro da Babilônia e morava num barracão sem número, havia chegado no bar Vinte de Novembro, que fica em frente à Lagoa, às sete da noite, e estima-se que tenha se jogado na água por volta de uma e meia da manhã. Ele tinha aproximadamente 35 anos e era carregador de feira livre. Segundo o dono do bar, Edson Silveira, ele era um cliente assíduo.

“O João não tinha papas na língua. Era falador, vivia gritando aos montes, às vezes reclamando, às vezes dizendo que amava cerveja. Ele gritava antes de beber e depois de beber também. Parecia muito cheio de vida. Nunca imaginei que ele faria uma coisa dessas!”, diz Edson em entrevista. Apesar de sua postura escandalosa, no dia em que veio a falecer, João se preocupou mais em dançar e cantar do que em gritar suas frustrações. “Ele dançou tanto que ficou tonto e caiu várias vezes no chão!” complementa Edson.

A esposa de Edson, Viviane Silveira, também foi testemunha do ocorrido. “Me pergunto se foi uma decisão que ele tomou no calor do momento ou se já vinha pensando nisso há algum tempo, porque me parece, agora, que ele estava cantando e dançando para se despedir desta vida”, comenta Viviane em tom sóbrio. João Gostoso era conhecido por beber, gritar e reclamar, mas nunca por celebrar. 

As autoridades descartaram a possibilidade de assassinato, pois as testemunhas viram o rapaz se atirando. Edson tentou salvá-lo enquanto Viviane chamava a polícia, mas João se afogou muito rápido devido ao estado de embriaguez. O corpo foi levado para a autópsia esta manhã e os preparativos para o funeral ainda estão em andamento. O caso repercutiu rapidamente entre os moradores do Leme e Botafogo, próximos do Morro da Babilônia, e algumas pessoas manifestaram o desejo de fazer doações para um velório digno. 


Texto IA (Ana Alícia)

O desamparo no tempo das multidões Nunca estivemos tão cercados — e tão sós. As ruas se enchem de passos apressados, os ônibus transbordam d...