JORNAL DO TRABALHADOR
| Sexta-feira, 10 de maio de 1930 |
Homem bêbado se atira na Lagoa Rodrigo de Freitas e morre afogado
João Gostoso era um frequentador assíduo do bar Vinte de Novembro, mas nesta noite de quinta-feira, as coisas passaram dos limites
Redação por Luanna Moura
Nesta quinta-feira, dia nove de maio, um homem bêbado, conhecido como João Gostoso, se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu por afogamento. João era um morador do Morro da Babilônia e morava num barracão sem número, havia chegado no bar Vinte de Novembro, que fica em frente à Lagoa, às sete da noite, e estima-se que tenha se jogado na água por volta de uma e meia da manhã. Ele tinha aproximadamente 35 anos e era carregador de feira livre. Segundo o dono do bar, Edson Silveira, ele era um cliente assíduo.
“O João não tinha papas na língua. Era falador, vivia gritando aos montes, às vezes reclamando, às vezes dizendo que amava cerveja. Ele gritava antes de beber e depois de beber também. Parecia muito cheio de vida. Nunca imaginei que ele faria uma coisa dessas!”, diz Edson em entrevista. Apesar de sua postura escandalosa, no dia em que veio a falecer, João se preocupou mais em dançar e cantar do que em gritar suas frustrações. “Ele dançou tanto que ficou tonto e caiu várias vezes no chão!” complementa Edson.
A esposa de Edson, Viviane Silveira, também foi testemunha do ocorrido. “Me pergunto se foi uma decisão que ele tomou no calor do momento ou se já vinha pensando nisso há algum tempo, porque me parece, agora, que ele estava cantando e dançando para se despedir desta vida”, comenta Viviane em tom sóbrio. João Gostoso era conhecido por beber, gritar e reclamar, mas nunca por celebrar.
As autoridades descartaram a possibilidade de assassinato, pois as testemunhas viram o rapaz se atirando. Edson tentou salvá-lo enquanto Viviane chamava a polícia, mas João se afogou muito rápido devido ao estado de embriaguez. O corpo foi levado para a autópsia esta manhã e os preparativos para o funeral ainda estão em andamento. O caso repercutiu rapidamente entre os moradores do Leme e Botafogo, próximos do Morro da Babilônia, e algumas pessoas manifestaram o desejo de fazer doações para um velório digno.
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