segunda-feira, 9 de junho de 2025

Melissa Venâncio | Crônica sobre a chuva

 Quando criança tinha medo de chuva, era simplesmente aterrorizante o céu cinza escuro que a sinalizava, junto aos trovões e os ventos que rugiam alto. Com o tempo o medo virou uma memória engraçada, mas crescendo fui percebendo que podia ser muito mais que isso. Quantos simbolismos a chuva traz? para alguns apenas a precipitação da água de volta à terra, que vai e volta num ciclo eterno, para outros é sinônimo de atraso ou até a perda de um dia, para os não céticos é o choro de uma divindade ou a celebração dos que já se foram. Para uma criança conhecendo o mundo pela primeira vez realmente pode ser assustadora, e para os que estão aqui à muito tempo, observando tantas chuvas, é o aconchego de várias memórias que vão e voltam com elas. Da chuva vem banho, bolinho e de vez em quando poesia, dela vem o arco íris e dela se faz arte, 

para Gal Costa ela é prata, para o prince era púrpura, para Maria gadu, a chuva era ela mesma.

Em 1991 axl rose canta para o mundo “nada dura pra sempre, nem mesmo a chuva fria de novembro” 

Em suma, São infinitas possibilidades para algo tão finito como a chuva, fácil ela é garoa, fácil ela é tempestade, rápido ela passa como se nem houvesse existido, mas também dura dias que parecem inacabáveis. 

toda chuva é diferente, a única coisa comum de todas elas, é que uma hora acabam, deixando memórias fixas no solo e no coração. 

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