Solidão Povoada (IA)
No coração pulsante das grandes metrópoles, onde milhões cruzam calçadas apressadas, cresce uma solidão que não conhece o silêncio. É uma solidão povoada, vestida de buzinas, passos apressados e rostos que não se olham. O metrô lotado carrega corpos, mas não histórias partilhadas. Os prédios tocam o céu, mas dentro deles, janelas fechadas escondem vidas desconectadas.
Na cidade que nunca dorme, há quem não tenha com quem sonhar. A tecnologia aproxima vozes distantes, mas afasta os olhares próximos. Conversa-se muito por telas, mas pouco com os olhos. As ruas estão cheias, os apartamentos iluminados, os cafés barulhentos — e ainda assim, falta alguém.
É um paradoxo urbano: estar rodeado de gente e, mesmo assim, sentir-se ilhado. Na multidão, cada um é uma ilha. O afeto virou notificação, o abraço virou emoji. E no fim do dia, quando o barulho cessa, a cidade revela sua verdade: é possível estar acompanhado, e ainda assim, estar só. (IA)
E para piorar a situação, esta solidão está presente nas relações até com aqueles que dizemos “os mais próximos”, “os que mais nos amam”, complementando esse paradoxo bizarro que o mundo vive hoje. As pessoas com quem deveríamos passar mais tempo e aproveitar, muitas vezes é aquela que é rejeitada e trocada por uma tela sem vida e hipinótica.
O mal desta tecnologia é a impressão que uma mensagem é a mesma coisa que uma conversa cara a cara, deixando um vazio aparentemente sem explicação, o qual sempre tem a mesma vozinha para todas as pessoas “ Por que me sinto tão só, se tenho tantas pessoas?”
Porque, no fim, quase nada vale ter tantas pessoas à sua volta e não ter uma conexão real, profunda e verdadeira com elas. Talvez, se todos tivessem a noção da mortalidade e do tempo, saberiam apreciar o que realmente importa. (Julia Teixeira)
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