sexta-feira, 23 de maio de 2025

Crônica - Solidão Acompanhada (IA)

 Solidão Acompanhada

Na grande metrópole, onde os prédios competem com o céu e os passos ecoam em calçadas apressadas, a solidão anda de metrô. Está sentada ao lado do executivo que revisa planilhas no celular, caminha ao lado da moça de fones de ouvido e olhos vidrados em nada. Ela não é o vazio, mas o excesso — de barulho, de compromissos, de gente.

Cada janela iluminada revela uma vida: jantares solitários com delivery, risos abafados por paredes finas, silêncios que se disfarçam com a TV ligada. Há quem nunca esteja sozinho, mas viva cercado de ausências. A cidade, com suas promessas de encontros e oportunidades, parece feita para esconder a solidão em multidão.

No bar cheio, nos ônibus lotados, nas timelines infinitas, ela persiste. Uma solidão povoada, ruidosa, cansada. Às vezes, tudo o que se quer é um olhar que repare, um bom dia que fique, uma conversa que dure mais que a próxima estação.

E assim seguimos, sozinhos — mas juntos, de certa forma.

No entanto, por mais que essa solidão perpetue na maioria dos momentos, ainda existe uma esperança, um raio de sol em um mundo tão iluminado ainda pode se fazer presente em certos momentos, indicando que, talvez, alguma coisa mude entre não só dois conhecidos mas talvez dois estranhos.

Pode ser uma troca de olhares com alguém do outro lado da rua, um gesto caridoso como pegar um objeto que caiu no chão ou um bom dia despretensioso, mesmo sendo algo simples nada impede que isso evolua para além de algo que só foi feito por educação, pois o instinto curioso e empático do ser humano nunca se esvai. 

E diante de tanta solidão, tantos indivíduos e tantas multidões, o que sobra é esperar que alguém, em algum momento e em algum lugar, queira mais que uma interação passageira com aquele ao seu lado e que isso gere uma conexão verdadeira, além do mundo virtual.

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Texto IA (Ana Alícia)

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