sexta-feira, 23 de maio de 2025

Lyslaine Gaspar / CRÔNICA: (IA)

 Solidão em Multidão (IA)

No coração da cidade que nunca dorme, onde os arranha-céus parecem conversar entre si em línguas de vidro e aço, caminha um homem anônimo. Ao seu redor, centenas passam apressadas, com o olhar colado ao chão ou à tela do celular. Todos parecem ter um destino, um compromisso, uma urgência que justifica o passo rápido - menos ele, que caminha devagar, como se buscasse algo invisível no meio do concreto.

A cidade é cheia. De carros, de luzes, de vozes. Mas vazia de olhos que se encontram. A multidão que o cerca é como o mar: densa, em movimento, mas indiferente. Cada rosto é uma ilha cercada de silêncios por todos os lados. Há solidão até no abraço dos prédios que se encostam, frios.

Numa padaria, ele pede um café e sorri para a atendente. Ela retribui com gentileza treinada, mas seus olhos já buscam o próximo pedido. A cidade não para. Não ouve. Não vê. Ele toma o café devagar, saboreando o momento raro em que alguém lhe entregou algo com as mãos.

A solidão, ali, não é ausência - é excesso. De gente, de ruído, de distração. Uma solidão povoada, onde o mais difícil é ser notado.

Enquanto observa a correria ao seu redor, ele se pergunta se alguém mais sente essa falta de conexão. O homem ao lado lê uma mensagem no celular com a expressão vazia; a mulher à sua frente discute algo importante pelo telefone, mas suas palavras parecem ecoar sem eco na imensidão da cidade. Ele se dá conta de que cada um deles carrega seu próprio fardo invisível.

A cada esquina que vira, ele percebe pequenos detalhes: uma flor esquecida na calçada, um gato dormindo sob a luz do poste — momentos que quase passam despercebidos na pressa coletiva. E assim ele segue, coletando fragmentos de beleza em meio à indiferença generalizada. É essa busca silenciosa que lhe dá esperança; talvez a solidão não seja um destino final, mas um caminho repleto de pequenas descobertas e lembranças esquecidas.

Ao final do dia, quando as luzes da cidade começam a brilhar como estrelas perdidas no céu urbano, ele sente que ainda há espaço para encontros inesperados — quem sabe um olhar sincero ou um gesto simples possa romper essa barreira invisível que envolve a todos? Afinal, mesmo na multidão mais densa, sempre há espaço para conexões verdadeiras e momentos de calor humano entre as sombras do concreto.

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