Avaliação cardiológica na prevenção de morte súbita
Estratégias fundamentais na prevenção das doenças cardíacas
As doenças cardíacas são as maiores responsáveis por causas de morte no mundo, dentre elas, a principal é a doença arterial coronariana, doença causadora do infarto, uma condição médica que ocorre quando as artérias coronárias, que fornecem sangue ao coração, ficam estreitas ou bloqueadas.
Além da doença coronariana, existem as cardiopatias congênitas e outras condições que, embora não sejam exclusivamente cardíacas, podem ter o coração como ponto de partida. Um exemplo é o aneurisma da aorta ascendente, que, se romper, pode levar à morte súbita. Doença essa diagnosticada a tempo no ator e apresentador Otaviano Costa através de um eletrocardiograma após sentir fortes dores.
As doenças congênitas críticas são identificadas desde o nascimento do bebê por meio do teste do coraçãozinho, enquanto as doenças hereditárias podem se manifestar ao longo do crescimento do indivíduo. Nesse segundo caso, é crucial considerar o fator genético; ter parentes de primeiro grau que tenham sofrido de doenças cardíacas antes dos 55 anos (homem) e 60 anos(mulher) é um forte indicativo de que o indivíduo pode estar vulnerável a essas condições.
O principal fator de risco para o desenvolvimento de doença coronariana é a dislipidemia, que se refere ao colesterol alto. Além disso, outros fatores como diabetes, hipertensão, tabagismo, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e obesidade também contribuem para esse risco. No entanto, o que tem preocupado os médicos do sistema de saúde público e privado, são os altos índices de pacientes jovens que dão entrada nos hospitais devido à infartos, frequentemente relacionados ao uso de drogas como a cocaína e, especialmente e em maior parte das vezes, ao uso de anabolizantes.
Embora não haja um consenso na literatura, o cardiologista Dr. Saulo Lustosa, diretor da Clínica do Coração, enfatiza a importância da realização de exames regulares para o monitoramento de doenças cardíacas. Ele recomenda que todos os indivíduos comecem a fazer avaliações cardiológicas a partir dos 40 anos, mesmo na ausência de sintomas. O check-up deve incluir exames como eco cardiograma, eletrocardiograma e teste ergométrico, com acompanhamento anual. No caso de sintomas, o paciente deve ser monitorado desde o primeiro indicativo da doença, aumentando a frequência das avaliações conforme necessário.
O Dr. Saulo ainda relembrou o caso do jogador Serginho, do São Caetano, que caiu desacordado e faleceu após sofrer parada cardiorrespiratória em partida do Campeonato Brasileiro em 2004. A arritmia foi detectada oito meses antes de sua morte em um exame no Incor (Instituto do Coração). No caso, o jogador Serginho sofria de cardiomiopatia hipertrófica, onde há uma hipertrofia do músculo cardíaco de forma assimétrica, principalmente do septo que obstrui a saída do sangue do ventrículo para o restante do corpo. Serginho tinha apenas 30 anos, idade referente ao índice de morte súbita por doença genética.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda a prática de atividade física por, no mínimo, 150 minutos semanais, distribuídos em pelo menos três dias. O Dr. Saulo Lustosa também enfatiza a importância de adotar medidas básicas, como uma alimentação pobre em gorduras saturadas e estratégias para combater a obesidade, que são fatores de risco significativos. Além disso, é fundamental cessar o tabagismo e moderar o consumo de álcool, pois, embora o álcool não seja um fator de risco direto, ele pode contribuir para outros problemas, como obesidade e elevação da pressão arterial.
Assim como o exercício físico fortalece os músculos esqueléticos do corpo humano, o músculo cardíaco também responde positivamente a esses estímulos. Quando nos exercitamos, fortalecemos o coração e melhoramos a circulação sanguínea, evitando futuros eventos cardíacos. O Educador físico Me. Paulo Uchoa destaca que atividades físicas mesmo de baixo impacto, como caminhadas e ciclismo, são atividades de fácil acesso que podem tirar a população do sedentarismo além de ter o potencial de transformar completamente o estilo de vida do indivíduo.
Atividades físicas são comuns na Avenida Beira Mar de Fortaleza, onde um grande número de pessoas se dedica às corridas de rua. O médico anestesiologista José Antônio Magalhães Filho, 34, encontrou na corrida uma motivação para emagrecer e mudar o estilo de vida. Adepto do esporte desde 2012, José Antônio viu na corrida uma forma de criar mais disposição e desempenho nas suas atividades cotidianas e uma rotina, mesmo nos seus dias mais intensos. “Quando mantenho as planilhas de treinos em dia, sinto que a organização diária de outros afazeres flui melhor. A sensação de prazer pós-corrida é boa demais. Principalmente quando proponho melhorar meu tempo em um percurso e o objetivo é alcançado. Nenhuma atividade física causa essa sensação em mim. Correr é massa demais.”
Preocupados em monitorar a frequência cardíaca, muitos praticantes utilizam smartwatches para acompanhar seus batimentos. No entanto, esses dispositivos podem apresentar uma margem de erro considerável, o que limita sua eficácia. O educador físico Paulo Uchoa destaca a importância de métodos de avaliação mais precisos, como a percepção subjetiva de esforço e hemogramas tradicionais para verificar glicemia, colesterol, vitaminas e níveis de ferro, além dos exames já mencionados anteriormente.
(Fontes: Dr. Saulo Lustosa, médico cardiologista, formado pela Universidade de Fortaleza com Residência no Hospital do Coração de Messejana.
Professor Me. Paulo Uchoa, educador físico, formado pela Universidade Estadual do Ceará, com mestrado em Mestre em Ciências do Desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Dr. Jose Antônio Magalhães Filho, médico anestesiologista)
Lorena Matos Ponte, estudante de Jornalismo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário