OS DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO NA PERIFERIA
A realidade dos microempreendedores que moram e atuam na periferia, gerando emprego e movimentando a economia local.
O empreendedorismo na periferia é um fenômeno crescente que reflete a criatividade e a resiliência das comunidades menos favorecidas. Muitas pessoas nessas áreas têm buscado alternativas para gerar renda e melhorar suas condições de vida, utilizando recursos limitados de forma inovadora. Entretanto, elas enfrentam todos os dias situações desafiadoras, como:
Acesso a Capital: Dificuldades para obter financiamento e apoio institucional são obstáculos significativos.
Falta de Capacitação: Muitos empreendedores carecem de formação em gestão e marketing, o que pode limitar o crescimento de seus negócios.
Infraestrutura Deficiente: A falta de acesso a serviços básicos e logística pode impactar a operação de negócios.
Insegurança: O medo de ser assaltado e perder tudo, e a falta de segurança por parte do estado afeta diretamente os microempreendedores.
Conversamos com algumas pessoas que possuem pequenas empresas na comunidade do Reino Encantado, no bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza. E elas nos relataram os principais desafios que enfrentam. Confira:
“Infelizmente se chegar um assaltante aqui, ele leva tudo e ainda pode me matar”, disse Bruna Rafaella, proprietária de uma bomboniere na comunidade. Segundo ela, o Estado “não oferece a segurança ideal” de acordo com o que arrecada; “os impostos são altíssimos, era pra no mínimo a gente ter uma sensação de segurança”, concluiu Bruna.
O fator segurança, é um dos principais problemas que o Estado do Ceará enfrenta atualmente. Só em 2024, já foram registrados mais de 22.260 furtos em território cearense, de acordo com a secretaria de segurança pública e defesa social (SSPDS).
Esse problema afeta diretamente os empreendedores, como Bruna, principalmente aqueles que residem na periferia, local onde a criminalidade possui maior domínio.
À procura de mais empreendedores, encontramos Macleide Lopes, também moradora da comunidade, que tem o seu próprio negócio. Ela nos contou que “o sol quente atrapalha muito”, e que “falta investimento”. Macleide, vende frango e verduras todos os dias na rua, a mais de 15 anos. Ela também relatou, que uma das principais situações que vive, é a concorrência dentro da comunidade, que também possui outros vendedores de frango. Apesar de todos os desafios, Macleide disse gostar muito do que faz. É um “trabalho que não tem cara de trabalho, pois eu amo o que faço”, concluiu.
Perguntada sobre o que falta para melhorar o seu negócio, Macleide disse que um “investimento para que eu possa ter o meu local próprio para venda” e “inovar com novas mercadorias" seria ótimo. Segundo ela, se o governo “investir na periferia”, muitas pessoas mudariam de vida.
Foto: Samuel Moura
Para finalizar nossa visita pela comunidade do Reino Encantado, entrevistamos Natália Soares, que possui uma marmitaria na localidade. Natália nos contou que as vendas vão muito bem, e que vender comida “é muito bom”, pois “todo mundo gosta”. De acordo com ela, as buscas por marmitas aumentaram significativamente após a pandemia.
Ela também pontuou que o principal problema que enfrenta, é a “falta de constância nos valores do mercantil”. “Toda sexta-feira vou fazer as compras, e infelizmente a cada dia o valor muda. Tem dias que diminuem, mas na maioria das vezes está mais caro.”
Vale ressaltar que o empreendedorismo no Brasil tem aumentado nos últimos anos, conforme os números obtidos por nossa equipe. Confira:
• A taxa de empreendedorismo potencial no Brasil cresceu 75% entre 2019 e 2020, passando de 30% para 53%.
•O número de jovens empreendedores no Brasil cresceu 23% entre 2013 e 2023.
• No último trimestre de 2023, o Brasil registrou um aumento de 5,1% de empresas abertas.
A periferia, é um dos maiores polos econômicos de uma cidade. Lá tem de tudo. Porém, os microempreendedores que atuam nessas regiões sofrem com problemas reais em suas realidades.
Apesar desses grandes desafios relatados nesta reportagem por parte dos trabalhadores, eles seguem firmes em sua luta diária pela sobrevivência.
Redação por Samuel Moura
Nenhum comentário:
Postar um comentário