sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Crônica- "Voltar"

 A sensação de dormir sabendo que no outro dia irei para a casa dos meus avós é única. Chegar e observar aquela casa que meu avô construiu rodeada de flores e plantas, que a minha avó cuidou traz uma sensação inexplicável de conforto. Procurar os braços da minha avó, sabendo que eles vão me abraçar, escutar os ensinamentos e as histórias do meu avô atentamente, estar ali com eles, é o que eu acredito ser o paraíso. Lá sou a netinha da Dona Irene e do seu Cosmo, ali eu volto a ser eu.

Mas, quando chega a hora de voltar, o sol se esconde, as flores se fecham e os pássaros param de cantar sem hesitação. Ajeitar minhas coisas, colocar no carro e lamentavelmente procurá-los para pedir a bênção, deixa um peso no meu peito. Dói sentir o longo abraço da minha avó e o firme aperto de mão do meu avô, escutar as orações para que o caminho seja seguro e não ter certeza quando os quando os verei de novo.

Voltar não se torna tão doloroso, porque entendi que o amor que eu sinto por eles vai além de palavras. É um sentimento que cresce a cada memória que guardo, a cada conselho e a cada olhar de ternura , que nem o tempo nem a distância vão conseguir apagar.

Resenha do filme "A história verdadeira"

 Dirigido por Rupert Goold e lançado em 2015, A história verdadeira é um drama psicológico que se baseia em eventos reais e explora as complexidades da moralidade, manipulação e busca pela verdade. O filme é estrelado por Jonah Hill, no papel de Michael Finkel, um jornalista desacreditado, e James Franco, interpretando Christian Longo, um homem acusado de assassinar sua esposa e filhos.

A trama se desenrola quando Finkel, após ser demitido do jornal The New York Times por manipular informações em uma matéria, descobre que Longo utilizou seu nome como identidade falsa, enquanto estava foragido. Intrigado, o jornalista decide se encontrar com o assassino, acreditando que contar a versão de Longo poderia reabilitar sua carreira. 

O filme cria um ambiente de tensão e ambiguidade, à medida que o relacionamento entre os dois homens evolui em torno de jogos mentais e mentiras. A direção de Goold mantém o espectador no limite, nunca revelando totalmente se Longo é culpado ou inocente até o final, mantendo a incerteza sobre a verdade .

Notícia baseada no poema de Manuel Bandeira

 Na noite desta última terça-feira (3), um homem de 43 anos foi encontrado morto na Lagoa Rodrigo de Freitas e as autoridades constataram sua morte por afogamento.

João Gostoso, como era conhecido, era pai de três meninos e estava casado com Márcia há 16 anos. O trágico acidente aconteceu após João sair do trabalho. Ele recebeu uma ligação de sua esposa contando que finalmente tinha saído da lista de espera para uma cirurgia no coração e que ia se operar em poucas semanas. João foi, então, para o bar Vinte de Novembro comemorar. Testemunhas que estavam no bar relataram nunca terem visto João beber e cantar tanto. O incidente ocorreu durante a madrugada e, de acordo com relatos, a vítima  perdeu o equilíbrio enquanto caminhava próximo à margem e acabou caindo da água. O corpo só foi localizado horas depois. 

       Resenha Spotlight


      Spotlight (2015), dirigido por Tom McCarthy, é um drama investigativo baseado na série de reportagens do “The Boston Globe” que revelou o escândalo de abusos sexuais sistematicamente encobertos pela Igreja Católica. O filme segue a equipe de jornalistas investigativos "Spotlight", composta por Walter "Robby" Robinson (Michael Keaton), Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Carroll (Brian d’Arcy James), que, sob a liderança do editor Marty Baron (Liev Schreiber), se debruça sobre as denúncias de pedofilia envolvendo padres da Arquidiocese de Boston. 

O longa começa quando Marty Baron, recém-chegado ao “The Boston Globe”, incentiva a equipe a investigar a fundo os abusos cometidos por padres e a possível conivência da Igreja. Inicialmente, a investigação é tratada com ceticismo por parte dos jornalistas, que se deparam com o enorme desafio de enfrentar uma instituição tão poderosa e influente. Conforme vão descobrindo mais casos e padrões de encobrimento, a equipe mergulha em um trabalho árduo de investigação, entrevistas com vítimas e confronto com figuras da Igreja e da Justiça. 

A narrativa é guiada pelo processo detalhado de apuração, mostrando o comprometimento dos repórteres com a verdade. O filme evita exageros dramáticos, mantendo um tom sóbrio e respeitoso em relação ao tema delicado. McCarthy utiliza uma abordagem quase documental, com diálogos precisos e uma tensão crescente à medida que a verdade vem à tona. 

Outro aspecto forte de "Spotlight" é sua crítica social. O filme não apenas expõe o horror dos abusos, mas também faz uma reflexão sobre o papel da imprensa na sociedade. A mensagem é clara: é essencial que o jornalismo investigativo continue a ser um pilar da democracia, capaz de desafiar e expor as verdades inconvenientes, mesmo quando envolvem figuras ou instituições poderosas. 

Eduardo Ferreira


Resenha do filme "Mil vezes boa noite"

 Dirigido por Erik Pope, o longa conta a história de uma fotógrafa de guerra que se arrisca fisicamente , psicologicamente, enfrenta diversos riscos e que, ao longo do filme, se encontra dividida entre viver em meio ao caos e deixar o seu trabalho que tanto venera para se dedicar ao seu casamento com Marcos (Nicolaj coster waldau) e suas filhas.

A atuação de Juliette Binoche, que interpreta a protagonista Rebeca, se destaca, pela sutileza emocional, transmitindo a angústia interna de sua personagem , expressando de forma contida., mas intensa, a culpa e o desejo de reconciliação.

O filme oferece uma reflexão sobre o preço emocional do jornalismo de guerra, destacando a tesão entre o desejo de mostrar a verdade e a exposição do trauma que isso implica, realçando como a linha entre o profissional e o pessoal pode ser devastadoramente tênue.

Resenha do filme " O escândalo "

Roteirizado por Charles Randolph e dirigido por Jay Roach, o filme "O escândalo" conta a história de três funcionárias da Fox News, que resolvem denunciar o então presidente do canal, Roger Ailes, por assédio sexual.
A obra baseada em fatos reais, mostra um ambiente de trabalho bastante tóxico e machista, fundamentado pelo CEO da emissora, Roger Ailes, e por um ambiente sexista. O filme ativa o seu senso de justiça, e faz o espectador perceber que as mulheres são sujeitas a diversos constrangimentos no ambiente de trabalho para não perderem os seus empregos, mas quando resolvem encarar esse desafio diário, essas mulheres podem mudam todo um sistema.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Sonho

 

                                                                      Sonho.

    Hoje, ao alvorecer senti uma vontade imensa de continuar regozijando a plenitude do meu tão amado sono e retornar aos entrelaços de meus devaneios. Mas não foi possível.

    Não sei porque ainda insisto nessas ideias, pois o meu outro eu, coadunado aos raios de sol vencem de forma contundente os resquícios de melatonina ainda compulsando minha fragilizada alma.

    As gotículas que caem do chuveiro informam escancaradamente que o tempo passa galopante e cruel – ainda bem que tenho ducha quente!

    Bem depressa, olho a escova dental e sou permitido a encarar meus dentes pela primeira vez naquela manhã – ufa! Ainda bem que eles são brancos e eu não tenho que perder muito tempo escovando.

    Agora estou me vestindo rápido e observando a hora do ônibus – são cinco e quarenta e eu não tomei café.

    Bem rápido saio de casa sem minha refeição matinal e caio em um abismo escuro e frio sem pedir socorro.

    Somente nesse momento é que acordo -Que pesadelo horrível!

    Olho o relógio e ele quase extinguindo, sussurra : tique-taque, tique-taque tique-taque, acabou a corda.





Uma terça-feira

 

    Nesta terça-feira, como de costume, acordei ás 9h, lavei o rosto, escovei os dentes, fiz minha rotina de skincare matinal, penteei o cabelo e me vesti ás 9:15, coloquei comida para meu porquinho da índia e dei tchau para uma de minhas cachorras que estava acordada e me acompanhou até a porta. Logo depois, desci até a garagem, entrei no banco de trás do carro e segui caminho até a UNIFOR para minha aula do CD.

    Chegando ao estacionamento, aproximadamente ás 9:35, fiz trajeto até o estúdio de rádio no bloco T, onde teria aula da professora Ana Paula. Durante a aula, discutimos um pouco sobre sociedade de massas e sobre a temática do congresso ao qual assistimos e que se encaixa na disciplina, a violência de gênero. A professora contou algumas experiências próprias nas quais sofreu assédio moral e, e nos fez refletir sobre a seriedade da situação. Pouco mais a aula acabou e eu me direcionei até a academia no bloco X, onde treinei por uma hora, e depois voltei para casa.

    O plano era chegar em casa, descansar um pouco e depois subir para almoçar no apartamento do meu avô, porém não foi o que ocorreu. Devido ao cansaço, acabei dormindo até 14:00 h, quando enfim fui acordada por minha mãe pois ia a acompanhar até o ortopedista para que pudesse tirar o curativo de sua cirurgia e colocar um novo. Chegando lá, esperamos por volta de 50 minutos, pois a clínica estava lotada, até o atendimento. Mantinha-se tudo bem com o pé da minha mãe, então acabou sendo rápido.

    Depois que cheguei em casa, por não ter tido tempo de almoçar antes, pedi comida no Ifood e fiquei assistindo á série. Terminei meu dia com um banho, seguido da minha rotina noturna de skincare.

O problema é que você acha que tem tempo

    Yuri me ligava todos os dias, mesmo quando estudávamos juntos. Éramos inseparáveis! Talvez por compartilharmos dos mesmos sonhos. O dele, profissionalmente, era de ser médico; e o meu, sei lá, algo que desse muito dinheiro. Na adolescência, deslumbrávamos com as possíveis viagens internacionais, carros e apartamentos.

    Crescemos e nossos sonhos foram se concretizando. Os dele primeiro. Trabalhava incansavelmente como médico e, nos dias livres, ia para um país diferente. Recebi ligações suas do México, de Nova Iorque… Logo em seguida, eu, o apartamentos dos sonhos de frente para o mar. 

    Com a mesma ânsia que ele me ligava para mostrar suas conquistas, ele tinha de conhecer as minhas. Ainda estava organizando tudo no lugar e os móveis novos não tinham chegado. Brincava com ele que seria o único a usar minhas panelas da Le Creuset e seria um segredo nosso.

    Com a sala incompleta, acreditava ser cedo demais para convidá-lo. Tudo teria que estar perfeito para recebê-lo. Então, recebi uma ligação. Quando vi seu nome atendi na mesma hora, achando que seria mais um convite para jantar, como costumávamos fazer. 

    Yuri contava que estava com recidiva tumoral. Hospital, transfusão, quimio… olho a notificação do celular e recebo a notícia que mais temia, ele se foi. 

    Estou sentada naquela sala ainda na espera de um sofá e uma mesa no apartamento que ele nunca irá conhecer.

 O caos

O trânsito a caminho da faculdade é sempre um caos. O pior horário para sair de casa é 6:20, parece que todos resolveram sair no mesmo minuto que eu, me pergunto se realmente estou no Brasil ou  Índia para o caos ser tão grande.

A maioria dos estresses se dá ao fato de um carro mudar de faixa sem dar seta ou uma moto que surge como um fantasma ao nosso redor. è surpreendente como as pessoas conseguem se atrapalhar, até mesmo nas saídas de um semáforo, mesmo que seja simples, para alguns parece um trabalho enorme.

Os ônibus são outros responsáveis pela bagunça, trambolhos sobre rodas que também fazem uma barbeiragem atrás da outra. Todos eles fazem com que o momento de ida ao trabalho ou faculdade, que era pra ser calmo, seja totalmente o oposto. 

Um caminho que deveria ser feito, em 20 minutos, se torna uma hora. É angustiante começar o dia com esse sentimento! Se uma máquina de teletransporte existisse, tudo seria mais fácil, mas infelizmente temos que conviver com essa triste realidade.

Torço para que, enquanto eu estiver vivo, criem esta máquina, pois tenho certeza de que serei a pessoa mais feliz do mundo. Vou poder sair de casa na hora que eu quiser, e assim não terei que ver todos os dias ônibus, carros e motoqueiros me estressando.


A Capivara

     Hoje eu vi uma capivara. 
    Peludinha, rechonchudinha, com uma cabeça bastante característica de capivara – meio quadrada, com os olhos puxados, mas fechados. Parecia simpática em seu momento de descanso. 
    Talvez fosse o dia quente, que já afetava minha cabeça depois de exposição prolongada ao sol num dia de feira, mas, por alguma razão, a capivara me intrigou mais do que o normal. Senti uma estranha compulsão em chegar perto do bicho, que parecia estar dormindo, deitado em cima das quatro patas. Aparentava ser mais uma estátua do que algo vivo, mas a bufada de ar que a capivara soltou em mim me convenceu do contrário. 
    Em primeiro lugar, eu gostaria de esclarecer o seguinte: eu nunca vi uma capivara antes, ao menos não ao vivo. Primeiras impressões? Elas fedem. 
    E que fedor! O cheiro deveria estar tão forte que mexeu ainda mais com minha cabeça, afinal, não consigo crer que eu pensaria: “é uma capivara simpática, ela merece um chapéu” e de fato ter tirado uma tangerina que comprei na feira e colocado em sua cabeça como um chapéu. 
    Ainda assim, isso ocorreu. E a bendita capivara ainda teve a audácia de equilibrar perfeitamente a fruta em sua cabeça. 
  Quando percebi meu erro, já era tarde demais. Eu não podia tirar a tangerina de lá, combinava perfeitamente com o estilo da capivara. Era o chapéu perfeito que ela fez por onde merecer. 
    Ajoelhada em frente à capivara, suspirei em derrota. 
    Adeus, sobremesa de amanhã.

Texto IA (Ana Alícia)

O desamparo no tempo das multidões Nunca estivemos tão cercados — e tão sós. As ruas se enchem de passos apressados, os ônibus transbordam d...