A sensação de dormir sabendo que no outro dia irei para a casa dos meus avós é única. Chegar e observar aquela casa que meu avô construiu rodeada de flores e plantas, que a minha avó cuidou traz uma sensação inexplicável de conforto. Procurar os braços da minha avó, sabendo que eles vão me abraçar, escutar os ensinamentos e as histórias do meu avô atentamente, estar ali com eles, é o que eu acredito ser o paraíso. Lá sou a netinha da Dona Irene e do seu Cosmo, ali eu volto a ser eu.
Mas, quando chega a hora de voltar, o sol se esconde, as flores se fecham e os pássaros param de cantar sem hesitação. Ajeitar minhas coisas, colocar no carro e lamentavelmente procurá-los para pedir a bênção, deixa um peso no meu peito. Dói sentir o longo abraço da minha avó e o firme aperto de mão do meu avô, escutar as orações para que o caminho seja seguro e não ter certeza quando os quando os verei de novo.
Voltar não se torna tão doloroso, porque entendi que o amor que eu sinto por eles vai além de palavras. É um sentimento que cresce a cada memória que guardo, a cada conselho e a cada olhar de ternura , que nem o tempo nem a distância vão conseguir apagar.