Yuri me ligava todos os dias, mesmo quando estudávamos juntos. Éramos inseparáveis! Talvez por compartilharmos dos mesmos sonhos. O dele, profissionalmente, era de ser médico; e o meu, sei lá, algo que desse muito dinheiro. Na adolescência, deslumbrávamos com as possíveis viagens internacionais, carros e apartamentos.
Crescemos e nossos sonhos foram se concretizando. Os dele primeiro. Trabalhava incansavelmente como médico e, nos dias livres, ia para um país diferente. Recebi ligações suas do México, de Nova Iorque… Logo em seguida, eu, o apartamentos dos sonhos de frente para o mar.
Com a mesma ânsia que ele me ligava para mostrar suas conquistas, ele tinha de conhecer as minhas. Ainda estava organizando tudo no lugar e os móveis novos não tinham chegado. Brincava com ele que seria o único a usar minhas panelas da Le Creuset e seria um segredo nosso.
Com a sala incompleta, acreditava ser cedo demais para convidá-lo. Tudo teria que estar perfeito para recebê-lo. Então, recebi uma ligação. Quando vi seu nome atendi na mesma hora, achando que seria mais um convite para jantar, como costumávamos fazer.
Yuri contava que estava com recidiva tumoral. Hospital, transfusão, quimio… olho a notificação do celular e recebo a notícia que mais temia, ele se foi.
Estou sentada naquela sala ainda na espera de um sofá e uma mesa no apartamento que ele nunca irá conhecer.
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