sexta-feira, 4 de outubro de 2024

A Capivara

     Hoje eu vi uma capivara. 
    Peludinha, rechonchudinha, com uma cabeça bastante característica de capivara – meio quadrada, com os olhos puxados, mas fechados. Parecia simpática em seu momento de descanso. 
    Talvez fosse o dia quente, que já afetava minha cabeça depois de exposição prolongada ao sol num dia de feira, mas, por alguma razão, a capivara me intrigou mais do que o normal. Senti uma estranha compulsão em chegar perto do bicho, que parecia estar dormindo, deitado em cima das quatro patas. Aparentava ser mais uma estátua do que algo vivo, mas a bufada de ar que a capivara soltou em mim me convenceu do contrário. 
    Em primeiro lugar, eu gostaria de esclarecer o seguinte: eu nunca vi uma capivara antes, ao menos não ao vivo. Primeiras impressões? Elas fedem. 
    E que fedor! O cheiro deveria estar tão forte que mexeu ainda mais com minha cabeça, afinal, não consigo crer que eu pensaria: “é uma capivara simpática, ela merece um chapéu” e de fato ter tirado uma tangerina que comprei na feira e colocado em sua cabeça como um chapéu. 
    Ainda assim, isso ocorreu. E a bendita capivara ainda teve a audácia de equilibrar perfeitamente a fruta em sua cabeça. 
  Quando percebi meu erro, já era tarde demais. Eu não podia tirar a tangerina de lá, combinava perfeitamente com o estilo da capivara. Era o chapéu perfeito que ela fez por onde merecer. 
    Ajoelhada em frente à capivara, suspirei em derrota. 
    Adeus, sobremesa de amanhã.

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