Hoje eu vi uma capivara.
Peludinha, rechonchudinha, com uma cabeça bastante característica de capivara –
meio quadrada, com os olhos puxados, mas fechados. Parecia simpática em seu momento
de descanso.
Talvez fosse o dia quente, que já afetava minha cabeça depois de exposição
prolongada ao sol num dia de feira, mas, por alguma razão, a capivara me intrigou mais do
que o normal. Senti uma estranha compulsão em chegar perto do bicho, que parecia estar
dormindo, deitado em cima das quatro patas. Aparentava ser mais uma estátua do que
algo vivo, mas a bufada de ar que a capivara soltou em mim me convenceu do contrário.
Em primeiro lugar, eu gostaria de esclarecer o seguinte: eu nunca vi uma capivara
antes, ao menos não ao vivo. Primeiras impressões? Elas fedem.
E que fedor! O cheiro deveria estar tão forte que mexeu ainda mais com minha
cabeça, afinal, não consigo crer que eu pensaria: “é uma capivara simpática, ela merece
um chapéu” e de fato ter tirado uma tangerina que comprei na feira e colocado em sua
cabeça como um chapéu.
Ainda assim, isso ocorreu. E a bendita capivara ainda teve a audácia de equilibrar
perfeitamente a fruta em sua cabeça.
Quando percebi meu erro, já era tarde demais. Eu não podia tirar a tangerina de lá,
combinava perfeitamente com o estilo da capivara. Era o chapéu perfeito que ela fez por
onde merecer.
Ajoelhada em frente à capivara, suspirei em derrota.
Adeus, sobremesa de amanhã.
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