Silêncio no Sinal Vermelho (IA)
O homem parou no sinal, mesmo com a rua vazia. Não porque respeitava a lei, mas porque já não sabia se devia seguir em frente. Carregava nos ombros mais do que a mochila gasta — trazia o peso de mil currículos enviados e nenhum retorno. No fundo do bolso, algumas moedas e um bilhete de metrô, resquícios de uma esperança que se esfarelava com o tempo.
As vitrines brilhavam, os outdoors gritavam promessas de sucesso e felicidade. Mas nada disso parecia ser para ele. No mundo que corre tão rápido, ele era invisível. Os algoritmos não o encontravam. Os vizinhos não sabiam seu nome. Na fila do banco, ninguém retribuía o bom dia.
Nem parece que, há um ano, naquele mesmo sinal, ele andava em direção a alguém que o queria bem. Alguém que um dia prometeu nunca abandoná-lo. Alguém que o homem, mesmo que de maneira inusitada, procurava curá-lo de suas maiores enfermidades.
Hoje, entretanto, o sinal se ver aberto para que aquele mesmo alguém possa andar com uma nova pessoa. Passando ainda pelo homem que, parado na rua, á viu se direcionando à um novo alguém. Um alguém que ele conhece por completo. Mesmo que agora não passem de dois desconhecidos. Tal qual as outras pessoas que passam aquele sinal.
Todos os dias, fazendo o mesmo percurso, o homem se perguntava "quando será que um sinal se abrirá para mim novamente?". Ele se pergunta enquanto deseja não fazê-lo fechar de novo. Até porque, nunca se sabe quando o semáforo ficará verde outra vez.
E assim ele seguia, dia após dia, como um ponto fora da curva, como um erro de sistema que ninguém se apressa em corrigir. A cidade pulsava, indiferente. E ele, em silêncio, esperava o próximo sinal abrir — ou uma chance de recomeçar.
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