História, legado e cultura: conheça o Museu da Indústria
De clube social a hotel de luxo, e então sede de uma empresa de energia, o palacete que hoje abriga o Museu da Indústria já passou por várias transformações, sem nunca perder sua relevância histórica para a cidade.
Por Sarah Ayres, Sara Marques e Julia Teixeira.
No coração de Fortaleza, próximo a construções que um dia foram cenário de diversos capítulos da história da cidade — como o Passeio Público, a Catedral, o Centro Cultural Dragão do Mar e o Forte Nossa Senhora da Assunção —, foi erguido o palacete de número 143, no fim do século XIX.
Com suas portas, janelas e sacadas antigas, rodeado por prédios com janelas de vidro e portas automáticas, seria de se imaginar que o museu tivesse sido retirado diretamente de uma memória, uma fotografia desbotada, pronta para escapar pelo tempo, e então colocado em um local no qual talvez não pertencesse. Entretanto, esse não é o caso. Tombado pelo patrimônio público estadual em 1995, o museu manteve grande parte de suas características originais, principalmente em sua área externa, resistindo à onda de construções modernas que tomou seus arredores.
Na época de sua inauguração, no ano de 1871, o que é conhecido hoje como museu era, na verdade, a segunda sede do primeiro clube social de Fortaleza: a Sociedade União Fortaleza. Desde então, o prédio passou por diversas mudanças em sua função na cidade.
Com a transferência do Club Cearense para um palacete na esquina seguinte — que atualmente sedia a Associação Comercial do Ceará —, em 1882, o prédio passou a funcionar como um hotel, chamado Hotel do Norte. Após a desativação do hotel, no ano de 1894, tornou-se sede da Repartição dos Correios e Telégrafos. Depois de quatro décadas de funcionamento, houve outra mudança.
Em 1935, o prédio foi adquirido pela Ceará Tramway, Light & Power Co., uma companhia inglesa que explorava o potencial de fornecimento de energia no estado. A empresa, que na época era responsável pelos serviços elétricos, foi nacionalizada, uma vez que esse serviço passou a ser responsabilidade da prefeitura municipal. Assim, teve seu nome alterado para Serviluz — Serviço de Luz e Força do Município de Fortaleza. Com o passar do tempo, seu nome sofreu mais três alterações: Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza — CONEFOR —, Companhia Elétrica do Ceará e, por fim, Companhia Energética do Ceará — Coelce.
Foi apenas em 2014 — ano de sua inauguração como museu —, após uma série de reformas, que o prédio se tornou como é conhecido hoje: o Museu da Indústria.
Arquitetura
Construído em 1871, o edifício centenário que hoje abriga o Museu da Indústria já foi utilizado para diversos propósitos, sofrendo várias alterações para que se adequasse às suas necessidades ao longo dos anos.
Com isso em mente, mesmo tendo sido tombado em 1995 por um órgão estadual — o que, em teoria, garantiria o cuidado do edifício —, em 2001 o prédio desmoronou parcialmente durante uma chuva no inverno, devido principalmente à falta de manutenção, que levou a diversas infiltrações e provocou o deterioramento da madeira das vigas da estrutura.
Após 20 anos de abandono, o prédio foi adquirido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) no final de 2001. As obras de restauração começaram em 2005 e, com o apoio de leis de incentivo, tinham como objetivo preservar a estrutura original, ao mesmo tempo em que a adaptavam à modernidade.
Durante o processo de restauração, foi decidido diferenciar as partes antigas das novas no edifício por meio de cores — verde e branco para as partes originais, e vermelho para as novas adições — a fim de facilitar os cuidados futuros, considerando que se trata de um prédio centenário que exige atenção especial.
Atividades ofertadas pelo museu
O Museu da Indústria é reconhecido por seus diversos eventos culturais gratuitos, disponíveis para o povo fortalezense.
Entre as programações estão exposições — principal atrativo do museu —, oficinas que abrangem todas as idades, musicais, entre outros projetos sociais.
Em entrevista com Ed Carlos, funcionário do setor de pesquisa e comunicação do Museu da Indústria, ele explica como funciona a estratégia de divulgação dos eventos: “As nossas divulgações são feitas principalmente pela rede social Instagram, por meio de posts promovendo as atividades. Os links para inscrição se encontram tanto na legenda quanto na biografia da conta do museu. A demanda dos nossos eventos é muito alta e, por conta disso, muitas pessoas ficam na lista de espera, mas todo mundo que participa gosta bastante.”
O Museu da Indústria se tornou, ao longo dos anos, um importante agente de inclusão cultural na comunidade de Fortaleza e, segundo o site oficial do museu, um instrumento que tem “o objetivo de promover o acesso à cultura para todos.”
Fonte: Agência de Notícias da Indústria.
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