sexta-feira, 9 de maio de 2025

O excesso de exposição à tecnologia e redes sociais prejudica o desenvolvimento de crianças e jovens.

  O excesso de exposição

à tecnologia e redes sociais

prejudica o desenvolvimento

de crianças e jovens

Como a hiper exposição ao meio digital impacta 

o crescimento das crianças e jovens da nova geração?


FORTALEZA – CE 

08:45 | 25/04/2025


AUTORAS: PAULA VIDAL E KAILANE DA SILVA


  Atualmente, a exposição precoce às telas tem se tornado cada vez mais comum para a nova geração que vem se formando em meio a era digital. Jogos, aplicativos de conversa, redes sociais e plataformas de streaming têm se tornado parte do cotidiano de muitos jovens desde a infância. Mas, afinal, quais as consequências dessa prática na chamada “geração online”? 


  De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em 13 capitais brasileiras, foi revelado que 33% das crianças de até 5 anos são expostas às telas por mais de 2 horas por dia. 


  Infelizmente, crianças e jovens que fazem o uso exorbitante dos aparelhos eletrônicos e têm fácil acesso às redes sociais, sem restrição dos pais ou responsáveis, em muitos casos, apresentam inúmeras complicações a longo prazo. Como os sinais prejudiciais dessa exposição exagerada podem se manifestar? 


  Ansiedade e Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade


  Quando conectadas às mídias digitais, as crianças estão constantemente expostas à informação e estímulos de todas as formas, fazendo com que elas tenham a incessante necessidade de consumir qualquer tipo de conteúdo a todo momento.


  “Logo no início, surgiram comportamentos como desinteresse pelos estudos, sono desregulado, mudanças de humor e até um certo isolamento.” pontua Simmon, pai de Pedro Guilherme (12), sobre o comportamento do filho quando começou a ter contato com aparelhos eletrônicos. A alta exposição à mídia funciona como um “energético” no organismo de uma criança, causando a hiperatividade do cérebro. 

  A ansiedade é fruto dessa hiperatividade cerebral já que, quando são privadas desse acesso às redes, as crianças tendem a se frustrar pela falta da consumação de conteúdos, algo que alimenta essa forma acelerada de pensar, formando-se assim um ciclo vicioso. 


• Exposição a conteúdos impróprios


  É inegável que a internet pode ser uma ótima ferramenta na atualidade. A conexão online e o avanço da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para a sociedade, como a facilitação de pesquisas, da comunicação a distância, educação e promoção da cultura. Entretanto, nos últimos anos, a facilidade da postagem de conteúdos fez com que a internet deixasse de ser um ambiente que visa somente a comunicação e entretenimento. Quando estamos conectados às redes virtuais, estamos suscetíveis ao bombardeio de todo e qualquer tipo de conteúdo, e o mesmo acontece com as crianças quando têm acesso às mídias digitais. Dentre as mídias impróprias as quais as crianças são expostas, estão:


• Cyber bullying 

• Conteúdo sexual

• Fake news

• Mídias violentas

• Linguagem ofensiva


  A restrição feita pelos pais é imprescindível para garantir a segurança das crianças. 

  “Em alguns momentos, tive que restringir, sim. Foi muito difícil, como mãe, fazer essa restrição sem causar grande descontentamento em casa”, afirma Kelvia, advogada e mãe de Valentina (15), quando questionada sobre o funcionamento dessa cautela em casa. 




• Bloqueio do desenvolvimento cognitivo e socioemocional


  Muitas das crianças que nasceram em meio a era digital tiveram acesso aos aparelhos eletrônicos muito cedo, e aprenderam a rolar os dedos nas telas antes mesmo de aprenderem a falar, andar, ou realizar tarefas básicas por conta própria. 

  Segundo Fernandes (2018), a exposição constante a estímulos eletrônicos pode dificultar o desenvolvimento de habilidades importantes, como a leitura de expressões faciais e compreensão de sentimentos em relações interpessoais.

  Nota-se também um atraso na aprendizagem das crianças da geração Alpha. Pelo fácil acesso à informação, os jovens perderam a habilidade inata do ser humano de buscar o saber. Atualmente, os jovens têm apresentado uma grande dificuldade e atraso no desenvolvimento de raciocínios lógicos e a aprendizagem da escrita e leitura, algo que pode ser facilmente justificado por esse uso descontrolado da navegação online, que limita o seu interesse pela informação fora das redes. 


• Isolamento social


  Atualmente, é cada vez mais comum presenciarmos o cenário de uma criança utilizando um aparelho eletrônico em público, seja em um encontro de família, ou em um passeio. Esse uso descontrolado pode causar um quadro de afastamento da criança em relação às pessoas com as quais ela convive. 

  Para além disso, vale ressaltar que essa realidade foi drasticamente agravada durante a pandemia do Covid-19, período em que as crianças em fase de desenvolvimento sofreram um forte dano, já que foram privadas de interações sociais e, ao mesmo tempo, foram hiper expostas às telas, resultando em uma fraca habilidade de comunicação com o passar dos anos. 


• Diminuição da criatividade


  Além de ter o poder de tornar as crianças em indivíduos mais ansiosos, o excesso de estímulos visuais e sonoros pode limitar a capacidade da criança de se expressar, atrapalhando seu processo criativo. A rapidez com que os conteúdos são consumidos, dificulta o desenvolvimento de criação própria, o enxergar além do óbvio e ter seu próprio senso de criatividade.


• Como fazer o uso correto da tecnologia?


- Estabelecer limites de tempo:

  É de suma importância que os pais formulem uma rotina que inclua, além de horários para a criança utilizar os aparelhos eletrônicos, momentos de interação com o exterior. Atividades ao ar livre e atividades artísticas são ótimas alternativas para desvincular a criança do mundo virtual.



-Priorizar conteúdos educativos:

  Apesar dos malefícios que o excesso da tecnologia pode causar, a internet possui também uma grande quantidade de conteúdos engrandecedores. É importante expor a criança à mídias que transmitam algum tipo de conhecimento.


-Participação ativa e vigilância:

  “Não é permitido o uso de redes sociais como: Facebook, Instagram, X, tentamos manter apenas nos jogos online e YouTube, mas sempre com supervisão do que anda sendo visto. Eu inclusive faço questão de criar a conta e monitorar de perto o que ele joga” afirma Simmon, sobre a monitoração realizada acima do uso das redes sociais por parte do filho. 



• REFERÊNCIAS:


Correia, Ana Karolina dos Santos.

ERA DIGITAL: o impacto no desenvolvimento cognitivo da criança/ Ana

Karolina dos Santos Correia; Cássia Gabriela da Silva Santos; Thaís Maria

Soares do Nascimento. - Recife: O Autor, 2023.

20 p.


FUNDAÇÃO MARIA CECILIA SOUTO VIDIGAL; MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Projeto PIPAS 2022: indicadores de desenvolvimento infantil integral nas capitais brasileiras: resumo executivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/projeto_pipas_2022_resumo_executivo.pdf. Acesso em: 24 abr. 2025.


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