sexta-feira, 23 de maio de 2025

Fósseis do Cariri: exposição imersiva no MIS revela fósseis de 110 milhões de anos no Ceará.
Mostra reúne achados pré-históricos da região do Cariri em uma experiência sensorial que conecta ciência, história e patrimônio regional

 

  O Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque (MIS-CE), em Fortaleza, iniciou no mês de janeiro a exposição Fósseis do Cariri, que desvenda capítulos da pré-história e reconstrói cenários de milhões de anos atrás. A mostra, que fica em cartaz até maio de 2025, apresenta a Bacia do Araripe de um modo em que o visitante não apenas vê os fósseis, mas se sente parte de um cenário marcado pelo surgimento de novas espécies de dinossauros, peixes e aves. Cada detalhe é pensado para transportar o espectador ao período Cretáceo, há mais de 100 milhões de anos. Unindo ciência, arte digital e paisagem urbana, a exposição revela a beleza e a fragilidade de um ecossistema que ainda hoje encanta pesquisadores e visitantes, além de destacar a importância da preservação desse patrimônio natural que está em processo de reconhecimento pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

A obra é dirigida pelo professor Adriano Oliveira, do curso de Sistemas Digitais da Universidade Federal do Ceará (UFC), e produzida pelo Laboratório de Visualizações Interativas e Simulações (Labvis-UFC), em parceria com a Lunart Estúdio de Animação. Combinando tecnologia de ponta, rigor científico e criatividade artística, a apresentação oferece uma experiência única de projeção mapeada em alta resolução, cobrindo as paredes e o piso da sala imersiva do MIS. O projeto conta ainda com o apoio do Núcleo de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (URCA), do Geopark Araripe, da própria UFC e do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado no Cariri.

  O Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, fundado em 1985 pela Prefeitura Municipal de Santana do Cariri e doado à Universidade Regional do Cariri (URCA) em 1991, é um dos principais centros de pesquisa e visitação da região do Vale do Cariri. O museu foi uma das principais fontes de inspiração para a exposição Fósseis do Cariri, fornecendo fósseis e dados científicos sobre a Bacia do Araripe, que deram suporte para a criação dos cenários e projeções da mostra. Em entrevista, o diretor do museu, Allyson Pontes, explicou a singularidade dos fósseis da região, “os fósseis do Cariri são surpreendentes de várias formas: além da quantidade, que é rara de ser vista em outros lugares do mundo, temos fósseis em qualidade impressionante. Aqui no Cariri, não se encontra apenas ossos; fósseis de invertebrados, tecidos moles, corações, veias e músculos estão preservados, o que é extremamente raro no registro fóssil.” A exposição surgiu de uma colaboração entre o Museu de Paleontologia, o Geopark Araripe, o MIS e o Centro Cultural do Cariri, que, segundo o diretor, "abriu novas possibilidades de parceria, e, após conversas e visitas, conseguimos desenhar projetos que buscam fazer com que o cearense entenda mais sobre seus patrimônios."

Do Cariri para o mundo

  A Chapada do Araripe, um dos maiores tesouros paleontológicos do Brasil, tem sido cada vez mais reconhecida no cenário nacional e internacional, especialmente após sua candidatura à lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Este título não apenas fortalece as estratégias de preservação científica e cultural, mas também amplifica a importância de um patrimônio que vai além dos fósseis. O diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens destacou a relevância do processo, explicando que a presença da Chapada na lista indicativa da UNESCO "soma esforços, reconhece o patrimônio e ajuda a avançar nas estratégias de preservação e promoção, tanto das riquezas materiais, como os fósseis, quanto das riquezas imateriais, como as lendas e as tradições culturais do povo do Cariri.

  Ele também ressaltou a importância das parcerias ao longo do caminho para o reconhecimento, como a colaboração com o Geopark Araripe, o MIS e o Centro Cultural do Cariri. O diretor acrescentou que a exposição Fósseis do Cariri se beneficiou dessa visibilidade, trazendo à tona a história da região e reforçando a importância da conservação do patrimônio, não só local, mas global. "O Geopark Araripe, o primeiro das Américas, é um exemplo claro de como associar ciência e desenvolvimento territorial sustentável pode aumentar a projeção de iniciativas como a nossa", completou.

O retorno triunfante do Ubirajara

  Entre tantos fósseis impressionantes da exposição, um em especial tem conquistado o coração dos visitantes e da equipe: o dinossauro Ubirajara. Descoberto na região do Cariri e levado de forma irregular para fora do país, o fóssil retornou ao Brasil após intensas negociações entre Brasil e Alemanha. Hoje, o Ubirajara é símbolo da valorização da ciência nacional e do combate ao colonialismo científico. Exposto no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, ele atrai olhares curiosos e entusiasmados, tornando-se uma das estrelas da mostra e um ícone da paleontologia brasileira.

  Com sua tecnologia imersiva e narrativa científica envolvente, a exposição Fósseis do Cariri no MIS transforma conhecimento em experiência sensorial. Mais do que apresentar achados paleontológicos, ela convida o público a enxergar o Cariri como território vivo de memória, identidade e descoberta. “É uma grande oportunidade para todos do Estado e de fora do Estado conhecerem essa região tão diferente e peculiar, que tem muito mais que fósseis”, afirma o diretor do Museu de Paleontologia. Ao caminhar por projeções que recriam ambientes de milhões de anos atrás, o visitante se depara não só com dinossauros e animais que fizeram parte da nossa história, mas com o orgulho de um patrimônio que pertence a todos. No fim, é impossível sair sem levar um pouco da grandeza do Cariri no olhar e um novo senso de pertencimento no peito.

Serviços

  O Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque funciona às quartas, quintas e domingos, das 10h às 17h30, e às sextas e sábados, das 13h às 19h30. A entrada é gratuita. Localizado na Av. Barão de Studart, 410, no bairro Meireles, em Fortaleza (CE), o museu convida visitantes de todas as idades a explorarem seus espaços e exposições de forma acessível e acolhedora.

Reportagem de Ana Gadelha, Brena Farias e Ismaely Lima.

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