sexta-feira, 23 de maio de 2025

Crônica: quando chove - Camila Yanis

Quando Chove 

A chuva começa tímida, quase pedindo licença, mas logo se anima e toma conta de tudo. No vidro da janela, as gotas escorrem em caminhos incertos, desenhando mapas que nunca se repetem. No asfalto, pequenos lagos se formam, refletindo postes e prédios, como se outra cidade nascesse ali, líquida e fugaz.

Lá fora, uns correm protegendo a cabeça com o que tiverem à mão: pastas, sacolas, jornais velhos. Outros simplesmente aceitam, deixando a água encharcar os cabelos e as roupas. Crianças pulam nas poças, desafiando a seriedade dos adultos. Cães sacodem o pelo, incomodados com a surpresa molhada. 

A chuva tem essa coisa curiosa de mudar o ritmo do mundo. Os apressados diminuem o passo, os distraídos acordam num susto com o trovão. Dentro de casa, o barulho ritmado das gotas no telhado vira trilha sonora para pensamentos soltos. De repente, dá vontade de um café quente, de um livro, de um abraço. 

Talvez a chuva nos lembre do que é essencial. Que às vezes é preciso parar, respirar fundo, ouvir o som da água caindo e lembrar que tudo passa — o sol, a tempestade, os dias bons e ruins. Porque, no fim, somos como as gotas na janela: cada uma com seu caminho, mas todas parte da mesma dança.

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