sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Redes Sociais e seu Impacto na Saúde Mental

 


  Redes Sociais e seu Impacto na Saúde Mental


Como as redes sociais influenciam nossas emoções?


                        

             

 


Ao passar dos anos, as redes sociais se tornaram parte do cotidiano de milhares de pessoas ao redor do mundo. Além do avanço das mídias sociais, como do Orkut até o atual Tiktok, a forma nas quais nos comunicamos e interagimos mudou completamente. Essa nova realidade levanta pautas importantes, como a da saúde mental e bem-estar psicológico e sua relação com as redes. Tal vinculação é caracterizada como complexa e multifacetada, gerando inclusive, certa polêmica sobre a sua verdadeira natureza na sociedade. 

Para entender mais a respeito da dualidade entre as redes sociais e o bem-estar das pessoas, é preciso analisar aspectos como conceito, origem e objetivos das redes onlines. Segundo dados do artigo "Redes sociais de informação: uma história e um estudo de caso por Gonçalo Costa Ferreira", o termo "redes sociais" ou social network foi utilizado pela primeira vez na história em 1954, quando o antropólogo John Barnes passou a sistematicamente citar essa expressão para mostrar os padrões de laços, incorporando os conceitos tradicionalmente usados, seja pela sociedade ou por cientistas sociais. Redes como Instagram, Twitter e Facebook são exemplos de sites e aplicativos no ambiente online que permitem o compartilhamento de informações entre pessoas e a comunicação e a interação de forma virtual entre indivíduos na mesma plataforma com acesso a internet. Criado em 1997, o site SixDegrees.com é creditado por muitos como a primeira rede social moderna. Isso porque já permitia que usuários tivessem um perfil e adicionassem outros participantes, em um formato parecido com o que conhecemos hoje.

Com a globalização e os avanços tecnológicos do século XXI, as plataformas digitais oferecem a solução perfeita para o problema da distância geográfica, sendo um valioso instrumento de socialização e conexão entre usuários independente do local em que se encontram. Os ambientes virtuais também se destacam na desenvoltura de relacionamentos amorosos, tendo o aplicativo Tinder, mais de 10 milhões de usuários no Brasil, de acordo com a Forbes, em busca de conhecer novas pessoas e marcar encontros. Além disso, no âmbito profissional, plataformas como o  "Linkedin", ajudam milhares de pessoas a divulgar seus currículos, procurar vagas de emprego e criar networking, impulsionando trabalhadores capacitados a se conectar com empresas sem precisar sair de casa.

Seguindo a linha de benefícios das redes sociais, é necessário citar 4 aspectos que salientam esses pontos positivos: o apoio social, o acesso a conteúdos diversificados, o engajamento cívico e a democratização do entretenimento.

Analisando a fundo os elementos previamente citados: as redes sociais podem funcionar como plataformas onde indivíduos podem encontrar suporte emocional e psicológico. Elas permitem a formação de grupos e comunidades, espaços que oferecem um ambiente acolhedor, onde as pessoas podem compartilhar suas vivências. As redes sociais também oferecem uma ampla gama de conteúdos sobre diversos assuntos, desde moda e culinária até ciência e política. Essa variedade não apenas enriquece o aprendizado, mas também ajuda na formação de opiniões e permite que as pessoas se mantenham atualizadas sobre uma infinidade de temas. Além disso, as redes sociais são essenciais para a mobilização em torno de questões sociais e políticas, pois elas oferecem aos usuários a chance de disseminar informações sobre eventos, campanhas e iniciativas, incentivando o ativismo. Por fim, as redes sociais oferecem uma infinidade de opções de entretenimento, incluindo memes, vídeos curtos, desafios virais e transmissões ao vivo. Essa diversidade mantém os usuários envolvidos e proporciona uma pausa divertida em seu dia a dia. 

Contudo, apesar de todas suas vantagens listadas, as plataformas digitais de comunicação também possuem diversos malefícios, principalmente voltados à saúde mental da população, sendo capaz de gerar transtornos  como ansiedade, insônia, isolamento, obsessão com o corpo e comportamentos agressivos, caso não administradas com cautela. Para examinar melhor a temática e buscando entender perspectivas diferentes, conduzi duas entrevistas, no formato online, com uma profissional formada em psicanálise e uma estudante que escolheu desativar uma de suas redes.


Durante nossa conversa, quando perguntada o porquê de ter desativado sua conta em uma das plataformas digitais, a estudante de 20 anos, Luana Gouvêa, explicou que sentiu que se livrou de um fardo quando desativou sua conta no instagram, pois na época, 3 anos atrás, ainda tinha uma visão muito imatura sobre redes sociais se sentia sempre tomada por muita distração e ansiedade. Gouvêa complementou, "Hoje, com 20, costumo dizer que é uma decisão da qual eu não me arrependo e nem volto atrás". Luana também destacou o motivo pelo qual escolheu apenas uma rede e não todas, a jovem afirmou que o constante bombardeio de fotos e vídeos de pessoas da sua idade,

aparentemente "curtindo a vida", saindo de casa todos os finais de semana, e etc, começou a gerar um fenômeno conhecido como FOMO(Fear of Missing Out), traduzido para o português como medo de ficar de fora" onde impera-se um sentimento de apreensão por estar perdendo ou deixando de aproveitar, além de própria ansiedade, o que não acontecia em mídias como tiktok ou twitter.


Continuando a trama, mas em um conversa diferente, com uma abordagem qualificada, a psicanalista Marcela Ranier afirmou que a influência das redes sociais na saúde mental é muito forte, principalmente em adolescentes, que estão buscando se identificar com algo ou alguém, e acabam usando os ambientes virtuais como forma de escape para o que está acontecendo na vida real. Ao falar do instagram, Marcela também relatou que o que é visto são apenas recortes da realidade, uma vida fragmentada, que não se deve deixar ser seduzido pela ilusão de que o que é mostrado é verdadeiro, pois essa comparação sim, pode acabar desencadeando futuramente em algum tipo de transtorno, como ansiedade generalizada. Ademais, a profissional também ressalta que, por mais que as novas tecnologias tentem substituir o contato e a comunicação humana, já que há uma demanda de pessoas que precisam buscar esses tipos de relações de forma virtual, muitas vezes como último recurso, por se sentirem sozinhos, o presencial, estar cara a cara e realmente viver no momento são inigualáveis e têm o poder de revigorar o bem-estar de um indivíduo. 

Antes de finalizar o enfoque de agravos que as mídias sociais trazem para vida das pessoas, é necessário abordar a temática do cyberbullying, conhecido como a prática de bullying realizado por meios digitais, onde o agressor utiliza a tecnologia a seu favor para assustar, envergonhar, depreciar a imagem e incitar ódio e violência a vítima.  As consequências dessa prática são consideradas graves, afetando a autoestima, provocando sentimentos de pânico e apreensão em quem está sofrendo, além de depressão severa e em casos extremos até a morte. Esse desempenho é extremamente atual, e em 12 de janeiro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.811/2024 que inclui o bullying e o cyberbullying no Código Penal e eleva a pena de crime contra crianças e adolescentes.

Por fim, após um extenso estudo e análise a respeito dos impactos que as redes sociais possuem na saúde mental das pessoas, compreende-se que não se pode caracterizar o uso das mídias como 100% positiva ou negativa, pois, existem questões consideradas como fatos importantes em ambos os lados. Para navegar de forma segura em plataformas digitais é necessário o uso do senso crítico antes de tudo, assim como estabelecer limite de uso, e regrar o que vai ser exposto em seu perfil, e que tipo de conteúdos você escolher interagir, sempre se mantendo atento.


Por: Ana Beatriz Austregésilo Albuquerque


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