Desde 2015, Alessandra Oliveira pesquisa o edifício São Pedro. Nessas pesquisas, já existia um projeto de demolição. Ela fazia parte de um grupo chamado Jucom, e alguns incidentes misteriosos ocorreram ao longo do tempo — como incêndios ou vazamentos que deixavam o prédio inundado. Esses acontecimentos já a instigavam. Em 2022, ela escreveu a história.
Pedro, quase invisível, propõe recordar memórias ao narrar uma história fantasiosa de amizade. O projeto que originou o livro tem como foco um olhar atento para a cidade de Fortaleza. É uma tentativa de resistência ao apagamento da nossa cultura e da nossa história — algo que é pouco explorado e, como o próprio título do livro diz, quase invisível. Fica também o mistério da relevância dada à arquitetura histórica da nossa cidade. Esse tipo de espaço nos une ao passado — e o passado é fundamental, pois carrega a nossa história. É ele que nos conecta ao presente e nos ajuda a compreender os espaços que ocupamos. A nossa capital, está sempre em busca da modernidade — talvez por isso, a Praia do Futuro carregue esse nome como a própria autora comentou. Na década de 1950, o edifício foi um símbolo dessa modernidade. Conhecido como o “Copacabana Palace Cearense”, sua estrutura remetia a um navio o que lhe dava um charme especial. Com o tempo, porém, o edifício perdeu seu prestígio, foi desativado e em 2024 acabou sendo demolido. Com a sua demolição, perderam-se também memórias e histórias vividas entre aquelas paredes. Mais um retrato da nossa cultura se desfez; mais um pedaço da cidade foi embora em silêncio. E diante disso, cabe a pergunta: até quando seguiremos apagando parte da nossa história? Ou tentando apagá-la? Há significados profundos na arquitetura que resiste, mesmo deteriorada. Em cada tijolo, em cada rachadura, há vestígios de vidas, de experiências, de afetos.
Essa reflexão ganha ainda mais força no olhar de quem estuda jornalismo e busca compreender a cidade além dos cartões-postais. Conhecer a história do Edifício São Pedro, para mim, foi um reencontro com a cidade que ainda não conhecia. O lançamento do livro despertou uma espécie de nostalgia por algo que nunca vivi, mas que agora carrego como se fosse parte de mim. Ao ver as fotos, imaginei como seria se ele ainda estivesse de pé — restaurado, respeitado, presente. São muitas as reflexões que surgem, e talvez o mais importante seja isso: que elas permaneçam. Ismaely Lima
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