quinta-feira, 29 de maio de 2025

Solidão em meio à multidão ( IA )

 

Na esquina da Avenida Paulista, em meio ao vaivém apressado de passos e buzinas, um homem espera. Ninguém sabe seu nome, e talvez nem ele se lembre. Veste terno puído, segura um copo de café frio e observa o mundo girar — ou melhor, passar correndo.

A cidade, essa senhora inquieta, é cheia de gente e vazia de encontros. No metrô lotado, corpos se tocam, mas olhos evitam contato. Cada um com seus fones, suas notificações, seu mundo portátil. Conversar virou exceção, sorrir virou risco. A solidão ganhou Wi-Fi.

Curioso como tanta presença produz ausência. Há festa nos bares, mas silêncio nas almas. Gente com milhares de seguidores e nenhuma companhia para dividir um domingo nublado.

Nas grandes metrópoles, a solidão não é vazia. É povoada. Por entregadores apressados, por janelas iluminadas e olhares que pedem socorro sem emitir som. É o paradoxo urbano: cercado por todos, mas íntimo de ninguém. E assim seguimos, conectados e sós.

Vêm à sua memória a infância em que brincava na rua com seus amigos, conhecia todos da vizinhança e, ao olhar para a grande metrópole, sentia a diferença exorbitante: crianças vidradas nas telas, cujo maior hábito era digitar, em vez de construírem e desejarem essas interações. Elas apenas buscavam se conectar.

E, no fundo todos, ainda anseiam por pertencimento, por um bom dia sincero e por encontros que não dependam da Internet, há um vazio que só pode ser preenchido pela presença real.

Cada luz acesa em um prédio da grande metrópole se encontra uma tentativa de continuar, E seguimos entre notificações e semáforos, buscando nos outros aquilo que esquemos, a capacidade parar.


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