Silêncio na Multidão (IA)
Ele acorda com o alarme, não com o sol. Entra no metrô lotado, mas sente-se só. Milhares passam por ele todos os dias — olhares que atravessam, nunca pousam. A cidade pulsa, mas seu coração parece sussurrar em outra frequência. As redes sociais gritam conexões, mas ele ouve apenas o eco do próprio vazio.
No trabalho, responde e-mails como se fosse uma máquina — o “bom dia” virou formalidade. As conversas são sobre prazos, metas, tendências... nunca sobre medos ou sonhos. A vida corre, e ele tropeça na sensação de não pertencer. Ser útil, produtivo, eficiente: é isso que esperam dele. Mas ninguém pergunta se está tudo bem.
À noite, no quarto iluminado pela tela, ele desliza o dedo, procurando algo que nem sabe nomear. Amigos virtuais, conselhos em vídeos, frases prontas. Mas a solidão continua sentada ao seu lado, paciente. No fundo, o que ele queria mesmo era um abraço que não viesse com notificações.
Na sociedade do desempenho, o desamparo virou epidemia silenciosa. E o indivíduo? Vai tentando existir entre os ruídos.
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