No coração das grandes metrópoles, onde os prédios parecem tocar o céu e as ruas fervilham de passos apressados, habita uma solidão silenciosa — uma solidão povoada. Não falta gente, faltam olhares. Nos vagões lotados do metrô, corpos se encostam, mas almas não se tocam. Cada um imerso em sua própria bolha de fone de ouvido, tela brilhante e pensamentos barulhentos.
A cidade pulsa, mas o coração de seus habitantes bate em ritmo próprio, muitas vezes desalinhado com o do vizinho. Cafés cheios, calçadas disputadas, filas intermináveis... e mesmo assim, o vazio insiste. Conversas rareiam, gentilezas escasseiam, e o tempo parece sempre corrido demais para uma pausa ou um “bom dia” com olhos nos olhos.
Nessas selvas de concreto, a solidão deixou de ser ausência — virou excesso. Excesso de estímulo, de ruído, de pressa. E no meio da multidão, cada um aprende a se esconder de si e dos outros. A solidão metropolitana não grita: ela sussurra, todos os dias, entre buzinas e silêncios compartilhados.
Em meio a solidão dentro da sociedade, o silêncio se espalha. Cada ser, vivendo no seu “mundo”, na sua realidade virtual. Inseridos em uma sociedade onde a comunicação se faz necessária, mas o digitar se tornou algo comum, e o falar pessoalmente se tornou algo escasso. As relações profundas se tornam algo superficial, uma publicação na rede social tem mais importância. E, assim, em meio a esta constante ausência que assola multidões, o silêncio se torna o excesso.
O desregramento vivenciado atualmente, dentro da sociedade, faz um alerta para o uso constante dos meios digitais. E a falta do assunto ser alertado com mais ênfase, torna - se um problema social se agravando constantemente. A comunicação é um pilar essencial para a construção de relacionamentos e compreensão do mundo ao nosso redor, e a falta dela deixa o espaço para a ausência e solidão.
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