sexta-feira, 23 de maio de 2025

crônica filme o escandâlo

 Crônica baseado no filme "O Escândalo"

Ultimamente, tenho refletido sobre a minha vida e os caminhos que estou tomando em relação a ela. Sempre tive o hábito de deixar as coisas passarem despercebidas, nunca dando a real importância que certos fatos mereciam. Mas, de uns tempos para cá, isso se tornou impossível.


Trabalhava no Jornal Diário há quatro anos e gostava da convivência com as pessoas. Também nunca tive problemas sérios com meus chefes — um ou outro desentendimento, mas nada que me tirasse o sono. Até que, há um ano, um novo diretor de notícias foi contratado. Todos, inclusive eu, estavam empolgados para trabalhar com ele, já que vinha de uma grande emissora.


No seu primeiro dia, fizemos uma recepção especial. Quando ele chegou, foi simpático com todos, mas, desde o início, me olhou de um jeito estranho, com um olhar que carregava algo de maldoso. Senti um pressentimento ruim, mas ignorei na hora, achando que era coisa da minha cabeça. Com o passar das semanas, porém, suas atitudes começaram a me deixar constrangida. Eram elogios aparentemente despretensiosos aqui e ali, um toque no ombro, um olhar que me dava arrepios.


Até que, certo dia, ele me chamou à sua sala. Fiquei relutante em ir, mas engoli o medo e fui.


Naquele momento, percebi como algumas pessoas encaram um cargo de poder como um passe livre para fazer o que bem entendem. Ele pediu que eu me sentasse e, com um toque aparentemente inocente, começou a passar a mão nas minhas pernas, enquanto me convidava para um “jantar de trabalho”. Recusei imediatamente e afastei sua mão de forma brusca. Ele me encarou e, em tom de ameaça, disse que poderia tanto facilitar quanto dificultar minha vida na empresa.


Levantei com um nó na garganta, uma mistura de medo e revolta. Queria gritar, queria chorar, mas saí da sala e fui direto à delegacia fazer a denúncia. Não sabia como seria ou se teria algum resultado, até porque, quando comentei com alguns colegas, muitos diziam que eu estava exagerando, enquanto outros insinuavam que eu deveria aproveitar a atenção do chefe.


Mesmo assim, fiz a denúncia e me afastei do Jornal Diário. Precisava me recuperar de tudo aquilo.


Uma semana depois, recebi uma ligação do Seu Carvalho, dono do jornal. Estava ignorando todas as mensagens, mas ele era o único que sabia do motivo do meu afastamento. Relutei um pouco antes de atender, pois ainda tentava me recuperar da situação.


Quando finalmente atendi, ele me contou que o diretor havia sido demitido e que um processo fora aberto contra ele, já que outras denúncias surgiram.


Depois disso, voltei à empresa. Mas sei que nunca mais me sentirei como antes.

Por: Julia Teixeira

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