Pedro: Quase Invisível - Livro de autoria da professora Alessandra Oliveira
Pedro Quase Invisível é um livro infantojuvenil que retrata a história do edifício Pedro, um prédio histórico, que se une a uma erva daninha com o objetivo de solucionar o mistério do desaparecimento dos edifícios patrimoniais da cidade de Fortaleza. O livro se destaca pela sua estética neutra, com cores preta e branco e sua forma horizontal, seguindo um padrão que difere da maioria dos livros voltados para o público infantil. Mas não é só isso que faz o livro ser uma inovação no mercado infantojuvenil brasileiro, mas também o fato de abordar assuntos como sentimentos complexos e confusos.
O personagem Pedro foi inspirado no edifício histórico São Pedro, da cidade de Fortaleza. Considerado ‘Copacabana Palace Cearense’ na década de 50, se tornou patrimônio histórico e cultural da cidade. São Pedro não era apenas um hotel que foi abandonado e se tornou ruínas; o edifício fazia parte da história da cidade, era um reflexo das memórias, da cultura, da visibilidade e das raízes étnicas de um povo, que se desfez, como se um dia nunca tivesse existido.
O enredo viaja por assuntos como a amizade, a resistência, a identidade e a luta por ser ouvido. Pedro representa todos aqueles que se sentem invisíveis em uma cidade que muda constantemente, sem olhar para trás. É também uma crítica à forma como tratamos nossa memória coletiva — como prédios que caem sem deixar vestígios, apagamos histórias inteiras. A relação entre Pedro e a erva daninha simboliza alianças improváveis, mas necessárias, para a reconstrução de um sentido de pertencimento.
A obra também convida o leitor a refletir sobre como nos sentimos quando pessoas ou lugares que amamos mudam ou desaparecem. O sentimento de perda e de desorientação é apresentado com sensibilidade, acessível ao público jovem, mas impactante também para adultos. O livro traz ainda a voz dos autores Alessandra Oliveira e Daniel, que dão à narrativa um tom poético e político, como na fala de Alê ao comparar o edifício a uma “gaiola de pombos” — uma metáfora sobre prisão e esquecimento.
Mais do que um livro, Pedro Quase Invisível é um convite à contemplação. Ele nos pede que paremos, observemos e escutemos o que as paredes e os vazios das cidades têm a nos dizer. Ao final, percebemos que, quando apagamos lugares como o edifício São Pedro, também deixamos de acolher partes de nós mesmos.
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