ARMORIAL 50: chega à Unifor e causa boas impressões
por Lyslaine Gaspar, Camila Fagundes e Camila Yanis
25 de Abril de 2025
Com obras de artistas renomados e uma programação cultural rica, a exposição oferece uma imersão única na arte que une o popular e o erudito, marcando um movimento essencial para a cultura nordestina. A visitação é gratuita, de terça a sexta, das 9h às 19h, e aos sábados e domingos, das 12h às 18h, até 29 de junho de 2025.
Em cartaz no Espaço Cultural Unifor desde fevereiro, celebrando os 50 anos do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra reúne cerca de 140 obras de artistas renomados como Francisco Brennand, Gilvan Samico, J. Borges e o próprio Suassuna, provenientes de coleções particulares e instituições renomadas.
A proposta do Movimento Armorial
Criado em 1975, o Movimento Armorial nasceu da vontade de Ariano Suassuna de mostrar ao mundo que a arte brasileira pode ser universal sem perder suas raízes. O movimento valoriza a cultura popular do Nordeste, como as tradições folclóricas, a literatura de cordel e as manifestações religiosas, unindo esses elementos com a linguagem erudita da arte ocidental.
Ariano Suassuna (1927-2014) foi um escritor, dramaturgo e poeta brasileiro, extremamente reconhecido por sua contribuição à literatura e à cultura nordestina. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, ficou famoso por suas obras que misturam elementos do teatro popular, da cultura popular nordestina e do modernismo brasileiro. Suassuna foi um defensor do regionalismo e da valorização das tradições do Nordeste, utilizando o folclore e a literatura de cordel.
A exposição na UNIFOR traz uma amostra do impacto desse movimento na arte contemporânea brasileira, com uma curadoria impecável de Denise Mattar. O evento visa não apenas apresentar as obras de artistas renomados, mas também refletir sobre como o movimento armorial continua a inspirar as novas gerações.
O público vai ter a oportunidade de apreciar as roupas usadas e algumas réplicas da obra de mais sucesso de Ariano Suassuna, "O Auto da Compadecida" e vai encontrar a Onça Caetana – a anfitriã da exposição com quase quatro metros de comprimento, que é só uma das muitas surpresas da exposição.
Uma imersão na cultura nordestina
Mais do que apenas uma exposição de obras, é uma imersão na cultura nordestina. A visita ao espaço oferece experiências únicas, como apresentações musicais ao vivo, onde o público poderá ouvir desde forró até ritmos como xaxado e maracatu, todos representando a riqueza sonora do Nordeste. Esses shows fazem parte da proposta de conectar as artes visuais com as sonoridades que deram origem ao movimento.
O movimento influenciou não apenas as artes visuais, mas também a música. Grupos como o Quinteto Armorial, criado por Suassuna, buscaram traduzir em som a fusão entre o popular e o erudito. Até hoje, músicos como Antônio Nóbrega e grupos de maracatu reverenciam essa herança.
Também será oferecido ao público uma série de debates, onde artistas, historiadores e curadores discutem as influências do movimento na arte contemporânea e no cenário cultural brasileiro. Durante essas rodas de conversa, o público pode entender o papel fundamental do movimento na valorização das expressões populares e como ele ajudou a moldar o cenário artístico atual.
Em declaração à reportagem, Thiago Braga, coordenador de Arte e Cultura da Unifor, comentou um pouco sobre a exposição.
“O valor artístico nordestino está sendo representado de diversos aspectos, como a dança, arte, cultura e arte-educação. Isso atrai o público de maneira muito natural.”
Sobre a recepção do público, ele destacou: “Os melhores possíveis. As pessoas têm se apaixonado por cada detalhe, especialmente por já terem familiaridade com ‘O Auto da Compadecida’, de Ariano Suassuna.”
O “Armorial 50” é muito mais do que uma simples retrospectiva do movimento artístico fundado por Ariano Suassuna. É uma verdadeira celebração da cultura nordestina, que revela a força da arte popular e a importância de manter viva nossa memória cultural. Ao conectar diferentes formas de expressão artística e promover o debate sobre nossas raízes, a mostra oferece uma rica oportunidade para entender o valor da arte popular, que continua a ter um papel central na formação da nossa identidade como povo.
“Foi como viajar no tempo e na cultura do Nordeste. Cada obra parecia contar uma história que eu já conhecia, mas de um jeito diferente. Nunca tinha visto uma exposição tão conectada com a nossa realidade. Fiquei encantada com a Onça Caetana.”
— Luana Silva, estudante do 3º ano do Ensino Médio
O evento é uma ótima oportunidade para escolas e grupos de estudantes que desejam aprender mais sobre a arte popular e como ela pode ser apreciada em diferentes formas e contextos. “A arte popular não é apenas sobre o que vemos. Ela fala com a alma e o coração do povo brasileiro, e é isso que buscamos compartilhar aqui”, explica a curadora Denise Mattar. Não perca essa oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a arte brasileira, suas origens e o impacto do Movimento Armorial.
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