Ao abrir a janela depois de uma noite silenciosa e serena, o semblante cinza e do céu já avisava o que estava por vir, arruinando completamente os meus planos para uma longa e tranquila jogatina de palavras cruzadas na varanda de meu apartamento, acompanhada de um maço de cigarros e um chá de camomila, porém apesar de minha frustração matinal, acompanhar a chuva nunca deixaria de ser um bom momento, ainda mais acompanhado de meu filho que acabara de acordar. Sentados em minha varanda ele se pôs a questionar , como sempre, e me perguntou o que a chuva significava para mim, eu poderia ter lhe respondido apenas que a chuva não passava da queda de gotículas de vapor condensadas em baixa temperatura e que se tornaram gás proveniente da exposição ao sol, processo esse que impacta diretamente na vida de qualquer ser vivo e é de suma importância para o equilíbrio da natureza, mas duvido que uma criança de 7 anos iria gostar de uma explicação dessas e além disso, não é do feitio de um poeta procurar explicar o mundo como ele é pela visão de pesquisadores e cientistas. Portanto lhe respondi que: A chuva pode significar inúmeras coisas para um número incontável de seres, os antigos a viam como o início do ciclo da colheita e um sinal de boas novas, para um pedestre, pode significar um pequeno e rápido incomodo, devido as gotas de chuvas que atingem a tela do celular e induzem toques acidentais ou a inibição do sensor do dispositivo ao toque dos dedos, para uma folha, ela significa a chegada de componentes essenciais para sua sobrevivência e proliferação, mas para mim a chuva era algo especial, o cheiro de terra molhada juntamente com o som das gotas atingindo o solo me recordavam de tempos antigos, tempos mais simples, tempos os quais eu não precisava me importar com o que o outro pensava de mim, tempos os quais a vida era um eterno e incrível ciclo de acordar, me divertir e dormir, tempos os quais a pior parte do meu dia era dormir mesmo querendo brincar mais com pessoas as quais nunca mais vi e tempos esses que guardo com muito carinho na parte mais funda de meu coração. E após esta longa reflexão, respondi ao meu filho com uma pequena lágrima escorrendo de meu olho naquela manhã nublada de sábado que a chuva, para mim, era um momento introspectivo nostálgico que me levava para um tempo o qual eu nunca queria ter deixado.
aluno: Gustavo de Paula Barbosa
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