sexta-feira, 7 de março de 2025

 

Nuvem negra

Era final de Janeiro, e começava a tão demorada época de chuvas. Incômodo pra muitos, agradável para outros, agridoce para a maioria - afinal, ela é muito bem vinda quando se está no conforto de sua casa, mas, se estiver forte ao ponto de cair a energia, passa a ser um problema.

Para ela, num geral, era sinônimo de conforto. Uma oportunidade em cheio para fazer o que mais gostava: revisitar memórias, seja em fotos e vídeos, ou consigo mesma, no mais profundo de sua mente.

De relance vinham as lembranças da infância, de como tudo passou tão rápido, das decisões que tomou, dos eventos que marcaram - e que, por mais que ela sempre se lembre, é como se fosse pela primeira vez - e de tudo que a moldou para ser quem era.

No entanto, uma vez que tinha as memórias doces, elas acabavam e, com isso, surgia seu pior inimigo: a mente vazia. Uma nuvem negra que, não apenas se instaurava e trovoava ao lado de fora, mas também se mostrava presente em seus questionamentos. Perguntas sobre porquê, como, o que foi - e o que não foi, mas poderia ter sido - e assim em diante.

Quando a energia voltou e já se escutava os barulhos das ruas, ela sacudiu a cabeça para retomar a rotina e deixar que o nublado permanecesse somente do lado de fora da janela, mas, não adiantou. Sua mente persistiu em reviver, mais uma vez, tudo de novo.

Seria uma longa temporada de chuvas.

Nome: Isadora Vieira Cavalcanti
"crônica sobre um dia de chuvas". - Jornalismo 2025.1
07/03/2025

Um comentário:

  1. Bela crônica lírica. Simples mas profunda, com um sentimento mesclado sobre o nosso passado que temos que aprender a lidar. Bom trabalho, me identifiquei nele!

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