quinta-feira, 13 de março de 2025

CRÓNICA- CHUVA (A Melodia da Chuva) - Letícia Frota

A Melodia da Chuva


A chuva cai. Sempre cai. Silenciosa no início, um sussurro tímido contra o vidro, depois intensa, desabando em lamentos sobre a terra sedenta. O céu chora sem pudor, e o mundo se curva sob o peso de suas lágrimas.


Há algo na chuva que ecoa dentro da alma—uma saudade antiga, um murmúrio de tempos que se perderam na névoa do passado. Cada gota que toca o chão parece carregar histórias não contadas, promessas esquecidas, sonhos que nunca despertaram.


A chuva sempre traz lembranças. Do cheiro da terra molhada na infância, dos passos apressados nas ruas vazias, de um amor que se despediu sob um céu cinzento. Há na água que desliza pelos telhados um lamento manso, uma música triste que só os corações solitários conseguem ouvir.


E talvez seja essa a natureza da chuva: lembrar-nos da impermanência, do tempo que escorre entre os dedos como as gotas que deslizam pelas janelas. Tudo passa—o sol se esconde, as folhas caem, os rostos desaparecem na neblina dos dias. Mas a chuva sempre volta, como se o céu nunca aprendesse a guardar suas dores.


E assim seguimos, ouvindo a mesma melodia de sempre, deixando a água fria tocar a pele e lavar aquilo que as palavras não conseguem. Porque, no fundo, todos temos um pouco de chuva dentro de nós.



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